
Na obra-prima As Meninas, um jogo de sombras e espelhos que nunca deixou de intrigar, um pequeno jarro de barro que pode passar despercebido no centro da tela transforma a pintura — de um retrato da vida palaciana em um tratado sobre a natureza ilusória e transcendental da existência.
Essa obra chama a atenção de especialistas há mais de três séculos e meio, desde que o pintor espanhol Diego Velázquez (1599-1660) a criou em 1656.
Para entender como a presença aparentemente casual de uma peça de cerâmica da América Latina se converte em uma lente para captar o mundo de uma nova maneira, devemos lembrar o contexto cultural em que a pintura surgiu e o que ela pretendia retratar.