Causou estranhamento ao promotor que o conselho de sentença, responsável por decidir se o acusado seria culpado ou absolvido, ter reconhecido a autoria do crime, mas ainda sim optar pela absolvição. "O Conselho de Sentença reconheceu o acusado como autor do delito, mas mesmo assim resolveu absolvê-lo por 4 a 3 da prática do homicídio qualificado", afirmou o promotor Ubiraci Rocha, logo após o fim do julgamento.
"Isso demonstra infelizmente o preconceito à condição da vítima por ser travesti", afirmou Ubiraci Rocha sobre o crime. Foram apresentadas como provas de autoria do crime o carro usado pelo professor, um veículo de passeio de cor vermelha, no local onde Makelly estava na noite do crime, um ponto de prostituição.
Corpo de Makelly Castro foi encontrado cheio de hematomas e com roupas íntimas.A partir da decisão dividida do conselho de sentença, de 4 a 3 pela absolvição do professor acusado, a opção do promotor foi por recorrer a fim de que Luís Augusto Nunes seja julgado novamente. "O MP recorreu por decisão contrária à prova dos autos e incompatibilidade na resposta aos quesitos, por reconhecer a autoria e absolver da prática do crime", disse Ubiraci Rocha.
Corpo foi encontrado cheio de hematomas
A travesti Makelly Castro foi assassinada no dia 18 de julho de 2014. O professor foi acusado de homicídio qualificado por emprego de meio cruel. O corpo da vítima foi encontrado com muitos hematomas no bairro Distrito Industrial, Zona Sul de Teresina, apenas com roupas íntimas.
Ao longo do julgamento a defesa alegou que o professor é inocente. "Não tem prova de autoria nem participação. No dia do crime, meu cliente apenas pegou o carro durante o dia, para deixar a dona do veículo para fazer compras, mas na hora do crime ele estava em casa", declarou o advogado durante o dia.
A tese da acusação baseou-se em crime de ódio. "Tem um forte aspecto de ódio, um dos fatos importantes relacionados a isso está na oitiva de uma testemunha, que disse que a pessoa com quem ela teve contato antes a golpeou depois de não ter ereção. Isso estabelece a relação de ódio, raiva do objeto sexual. É dentro dessa linha que o MP vai trabalhar", declarou o promotor Ubiraci Rocha.