Entre os semáforos de Teresina e sob o calor intenso da capital, Pedro Emanuel, de 15 anos, vende café para realizar um plano que já traçou para o futuro: comprar uma casa, mobiliá-la e fazer um curso técnico de restauração de móveis.

A atividade é acompanhada pelos pais. Além de trabalhar pela manhã, o adolescente frequenta a escola e faz curso de inglês. A meta dele é chegar aos 18 anos com entre R$ 160 mil e R$ 180 mil guardados.

Ao g1, Pedro contou que a rotina começa cedo. Às 4h, ele acorda para preparar o café e organizar as vendas.

Às 6h30, já está em um semáforo movimentado de Teresina oferecendo café aos motoristas. O trabalho segue até por volta das 9h. Depois, ele se dedica aos estudos.

"Quero ter minha casa, mobiliar ela e começar minha carreira. Estou trabalhando para isso", afirmou.

A ideia de vender café surgiu após Pedro conhecer, pelas redes sociais, o trabalho de um vendedor conhecido como Café Chefe. Inspirado pela dinâmica das vendas nos semáforos, decidiu investir e testar o modelo de negócio em Teresina.

O início foi tímido. No primeiro dia, ele vendeu apenas uma garrafa. Com o passar do tempo, porém, as vendas cresceram. Hoje, mesmo sob o forte calor da capital, consegue vender até sete garrafas em cerca de três horas e meia.

A repercussão também chegou às redes sociais. Um vídeo mostrando a rotina de vendas viralizou e ajudou o adolescente a conquistar milhares de seguidores em poucos dias.

Segundo Pedro, o reconhecimento do público foi uma das maiores surpresas.

"As pessoas começaram a dizer que meu café era bom, que eu era uma pessoa honesta e que deveria criar um Instagram. Eu criei mais para mostrar meu trabalho e acabou crescendo muito rápido", contou.

Estudo é prioridade, reforça a família

Segundo a família, o interesse de Pedro pelas vendas começou ainda na infância. Aos 7 anos, ele vendia desenhos para colegas da escola. Depois, trabalhou com marketing digital e, entre os 12 e 13 anos, vendeu brigadeiros nas ruas.

Foi nesse período que os pais passaram a se preocupar mais com a atividade do filho, principalmente pelo contato com pessoas desconhecidas.

Por isso, a família decidiu acompanhar as vendas de perto e orientar Pedro sobre os cuidados necessários.

Apesar de apoiarem o interesse do adolescente em trabalhar e buscar formas de ganhar dinheiro, os pais sempre estabeleceram uma condição: os estudos deveriam ser prioridade.

"Tenho medo de dizer quantos anos tenho e as pessoas pensarem que faço isso porque meus pais me obrigam a trabalhar. Mas fui eu quem quis. Sempre gostei de trabalhar e de correr atrás dos meus objetivos. Meus pais sempre me apoiaram, mas também sempre deixaram claro que a escola vem em primeiro lugar", afirmou.

"Não estou fazendo isso só por agora. Estou pensando no meu futuro", concluiu.