"Está muito complicado ficar aqui, porque todos os esportes são a partir de 18h. Eu sou atleta e as aulas acontecem pela manhã, ou seja, temos que ficar aqui o dia inteiro sem almoço e nem janta", afirmou uma aluna.
Outro estudante do IFPI relatou que muitos alunos moram em outras cidades na região metropolitana de Teresina, como Altos, José de Freitas, União e Demerval Lobão.
De acordo com a instituição, a suspensão da alimentação se deu porque esta semana é a última do primeiro semestre letivo, com aplicação apenas de provas, sem aulas para os discentes. Além disso, o IFPI está vivendo um regime de gastos devido o bloqueio do orçamento federal que reduziu cerca de R$ 10 milhões do seu orçamento.
"Pessoas como eu, quem vem de Altos até aqui, por exemplo, às vezes nem tomam café afim de pegar o ônibus cedo para não se atrasar. Na saída também estamos com fome, a espera por ônibus é longa. A falta de refeição também impossibilita a gente de ficar na monitoria, podíamos ficar quando tinha almoço agora que não tem, não dá", lamentou uma aluna.
Instituto Federal do Piauí (IFPI)Até para os estudantes que moram na zona urbana de Teresina, a logística para ir ao IFPI também foi alterada para incluir a alimentação, como é o caso da estudante e monitora Keyla.
"Tá meio difícil a nossa situação, porque eu moro na Zona Norte e tenho que acordar 5h para poder pegar o ônibus 6h e chegar na escola 7h. Agora eu tenho que acordar um pouco mais cedo para fazer comida e trazer", afirmou.
Além da alimentação, o Instituto Federal já havia anunciado que alguns serviços seriam afetados pelo corte orçamentário, como é o caso de atividades de visitas técnicas, aquisição de insumos de laboratórios, organização e participação em eventos acadêmicos, fomento à extensão e pesquisa, assim como comprometer o transporte.
Bloqueio nacional de R$ 3,23 bilhões
O corte, anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) às instituições federais de ensino, afetou 14,5% do orçamento das entidades. De acordo com documento enviado às instituições de ensino, elas terão bloqueio da verba para custeio e investimento, totalizando R$ 3,23 bilhões.
O bloqueio também atinge o orçamento discricionário de entidades vinculadas ao MEC, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que auxilia estados e municípios a garantir educação básica de qualidade.