O Palmeiras disputará no dia 28 de novembro a sua oitava final de Conmebol Libertadores. Quatro delas vieram nas últimas sete edições, todas sob comando de Abel Ferreira. A dramática classificação nos pênaltis após a derrota por 1 a 0 para o Fluminense reforçou a aura impressionante que a equipe comandada pelo português tem na maior competição do continente.
De 2020 para cá, o Verdão já chegou longe na Libertadores com um futebol envolvente, com uma equipe mais cascuda, com campanhas avassaladoras... e também no sufoco. É o caso desta edição.
O Palmeiras não empolgou o torcedor até aqui. Classificou-se em segundo lugar na fase de grupos, passou nas oitavas com uma vitória magra diante do Cerro Porteño, no Paraguai, e viu Carlos Miguel ser herói nas disputas de pênaltis contra a LDU, do Equador, nas quartas, e Fluminense, agora na semi.
Mas tem se tornado tão frequente o Verdão chegar longe na competição, que talvez não se tenha dimensão do feito. De 1961 a 2019, eram quatro finais (1961, 1968, 1999, 2000). De 2020 a 2026, o clube conseguiu igualar o número (2020, 2021, 2025 e 2026).
Neste ano, a resiliência tem sido a marca dessa equipe. Mais uma vez ela teve que aparecer, depois de um jogo em que o Verdão teve controle durante boa parte do tempo, sem conceder chances. Mas também sem conseguir criar oportunidades de perigo.
Ainda que o jogo chato, sem oportunidades para os dois lados, servisse ao Palmeiras que jogava por um empate, qualquer vacilo poderia custar muito caro. E depois de uma finalização perigosa do Fluminense no primeiro minuto, Carlos Miguel não tinha sofrido perigo nenhum... até os 36 minutos do segundo tempo.
Sem conseguir extrair o melhor de Andreas Pereira, Arias e Flaco López, seus jogadores mais avançados, o Verdão não chegava em Fábio e passou a dar sinais de cansaço nos minutos finais.
O bom posicionamento defensivo começou a dar espaços. Hércules não perdoou quando recebeu com liberdade na entrada da área e marcou o gol que fez o Fluminense devolver a derrota sofrida por 2 a 1 no Maracanã.
O revés gerou um clima de incredulidade no Nubank Parque, principalmente pela postura "cautelosa" em excesso dos donos da casa, como avaliou Abel Ferreira. Era mais um mata-mata de Libertadores em que um gol no fim acabava com a vantagem construída em um jogo controlado, como nas quartas de final.
Mas assim como na fase anterior, o Palmeiras mostrou que hoje é uma equipe mais confiante nos pênaltis depois de tantas derrotas nesse tipo de disputa. Carlos Miguel garantiu mais uma defesa para Marlon Freitas definir a classificação e fazer o está terminar em êxtase.
Faltou bola (e será preciso mais para a decisão), mas na Libertadores o Verdão de Abel Ferreira chega longe. E disputará mais uma vez na final.
O Palmeiras vai em busca do tetracampeonato continental; se conseguir, será a terceira taça da competição com Abel Ferreira. Jogando bem ou jogando mal, a equipe do português construiu uma aura que não se deve normalizar no maior torneio do continente.
