Carlo Ancelotti que me desculpe, mas ganhar o meio de campo é fundamental. E a vitória do Brasil sobre a Austrália, em Brisbane, diz, sim, muito sobre isso. Entre sustos e viradas, a Seleção merece mais elogios do que críticas e isso passa muito pela maior presença no setor.

De volta ao 4-3-3 com Danilo, Bruno Guimarães e Gabriel Bontempo no meio, o Brasil tinha presença maior no campo de ataque, associava as jogadas com mais gente pelos lados do campo e ganhou volume ofensivo. A transição defensiva deixou a desejar, mas vamos deixar as críticas mais para o fim do texto.

A subida de rendimento de Danilo e Bruno em relação ao jogo da última sexta-feira é um dos maiores exemplos do quanto a Seleção fica mais encorpada com mais gente no meio de campo. Em formato de tripé, um dos volantes baixava para auxiliar na saída a três e sempre tinha duas boas opções adiante para sair jogando.

Fosse para apoio em dinâmica de terceiro homem, fosse ajudando na progressão com auxílio dos laterais, a presença de um meio-campista a mais fez com que o Brasil se impusesse diante da Austrália. E o gol de Vanderson logo aos três minutos comprova isso.

A jogada teve BG na construção baixa, Bontempo no apoio para progressão de Vanderson, Rayan em profundidade, e novamente o meia recebendo na área para dar assistência para o lateral. A Seleção iniciou o jogo de maneira mais intensa e impôs dificuldades aos donos da casa também na pressão alta.

O jogo funcionou tão bem nos primeiros 20 minutos que o Brasil se mandou e deu espaço para contragolpes australianos. É bem verdade que a Seleção teve dificuldade em marcar correndo para trás. Em muitos momentos, a primeira linha parecia exposta e este ajuste fino para sincronia do avanço dos volantes é um dos desafios da formação.

A rigor, no entanto, a Austrália deu os mesmos sete chutes do jogo de sexta, em Townsville. Mais um elemento que direciona as atenções para a melhoria brasileira no volume ofensivo.

Com o meio mais encorpado, o Brasil finalizou mais em relação à sexta (18x6), finalizou mais dentro da área (13x8), teve mais ações dentro da área (30x18) e ganhou bem mais duelos (54x39). Números que ajudam a explicar a mudança de comportamento.

Sem Raphinha na volta do intervalo, Ancelotti apostou em Endrick para atacar as costas da última linha, e o Brasil passou a acionar mais Vini Jr. na profundidade. Por mais que a Austrália seguisse levando perigo, principalmente em bolas alçadas, a vitória parecia questão de tempo com o volume ofensivo brasileiro.

Bruno Guimarães fez o terceiro em bela jogada que, mais uma vez, começou lá atrás e teve associação com participação dos volantes até o gol. E depois Vini cobrou pênalti para fechar o placar.

Se é preciso encontrar equilíbrio nas ações sem a bola, o Brasil ao menos apresentou maior repertório e ímpeto ofensivo. E isso passa muito pela composição do meio de campo. Agora, é com você, Ancelotti.