Imagem: Flaviana OX/Prefeitura de PalmasApenas 21% das crianças de 3 e 4 anos foram vacinadas contra Covid-19 no Piauí dois meses após autorização.(Imagem:Flaviana OX/Prefeitura de Palmas)Apenas 21% das crianças de 3 e 4 anos foram vacinadas contra Covid-19 no Piauí dois meses após autorização.

Cerca de 19 mil e 900 crianças de 3 e 4 anos foram vacinadas contra Covid-19 no Piauí em mais de dois meses após a autorização para imunização dessa faixa da população. O levantamento, feito pelo g1 nesta segunda-feira (26), mostra que apenas 21% desse público, estimado em aproximadamente 95 mil crianças, recebeu a primeira dose de imunizante.

Procurado, o Ministério da Saúde informou ter recebido 1 milhão de doses de CoronaVac no dia 19 de setembro e que “após os trâmites logísticos e liberação pelo controle de qualidade” as doses serão distribuídas a todos os estados e Distrito Federal.

O órgão federal recomendou a aplicação da CoronaVac em crianças de 3 a 5 anos no dia 15 de julho, dois dias após aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Logo em seguida, a Secretaria Estadual de Saúde do Piauí (Sesapi) informou que não havia estoque da vacina disponível para iniciar a imunização desse público e orientou aos municípios que tivessem doses remanescentes de outros públicos que iniciassem a vacinação.

No dia 22 de agosto, o Piauí recebeu 30 mil doses de Coronavac. De acordo com a Sesapi, até aquele momento, apenas 5,79% do público-alvo havia recebido a primeira dose.

Devido à quantidade enviada, a secretaria decidiu encaminhar as doses para municípios com maior número de crianças na faixa etária contemplada, com a expectativa do recebimento de novas doses para enviar aos demais.

A Sesapi informou ao g1 que não recebeu mais doses desde então. A falta de vacinas fez com que diversas cidades tivessem interrupção na campanha de vacinação, como Teresina e Picos, o terceiro município mais populoso do estado.

Na capital, a vacinação está suspensa desde o dia 19. Em Picos, as últimas doses foram aplicavas na sexta-feira (23). Parnaíba, o segundo município mais populoso do Piauí, não precisou suspender a vacinação devido à baixa procura, informou o Coordenador de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde, Charles Lima.

"Não tivemos problema de falta de vacina. A gente tinha um estoque significativo de CoronaVc que usamos para vacinar essas crianças. Nosso problema aqui é outro, é a população que não está procurando vacinar essa faixa etária", afirmou.

Segundo Charles, o público-alvo é de pelo menos 4 mil e 147 crianças e, até o momento, apenas 1 e 200 foram vacinadas.

No quarto município mais populoso do estado, Floriano, a vacinação desse público nunca começou.

"Não recebemos doses e as que tínhamos não dava para fazer nosso público. Então preferimos não começar e depois ter que parar como está acontecendo com outros. A população também poderia não entender porque vacina umas crianças e outras não",
afirmou da diretora de imunização da cidade, Pollyane Pires.

Vacinação simbólica

Conforme dados da Sesapi, houve aplicação de doses em 198 dos 224 municípios do Piauí. Contudo, a vice-presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Piauí (Cosems-PI), Leopoldina Cipriano, afirmou que em muitas cidades houve apenas uma aplicação simbólica, em alusão à liberação da vacinação, enquanto aguardam a chegada de doses para iniciar de fato a imunização.

"Apenas alguns fizeram registros maiores, justamente pela falta de disponibilização de vacinas. I que se fez foi aproveitar doses que já haviam",
explicou Leopoldina.

A média de primeiras doses aplicadas nos 198 municípios, por exemplo, é de aproximadamente 100. Enquanto Teresina registrou mais de 3.800 aplicações, 140 cidades registraram menos que 100 doses aplicadas, algumas delas contabilizaram apenas uma dose aplicada.

Crianças de 6 meses a 2 anos

Um levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) apontou que pelo menos 142.168 crianças de 6 meses a 2 anos estão aptas a serem vacinadas com a vacina da Pfizer, imunizante aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para esse público, no dia 16 de setembro.

A Sesapi informou que aguarda as doses serem disponibilizadas pelo Ministério da Saúde para, em seguida, repassar os imunizantes para os municípios, que serão responsáveis por estabelecer os calendários de vacinação.