- Foi uma disputa de bola normal e eu caí. Quando eu levantei, já me deparei com ele, me xingando, me mandando levantar. Eu discuti, normal. Quando eu fui sair, ele olhou para mim e me falou: "Seu macaco do c...!" Na hora, eu fiquei em choque, fiquei quieto. É triste ver isso que está acontecendo no futebol brasileiro - disse Francis.
O atacante se disse triste com a situação e ainda espera que as ofensas raciais não sejam mais rotina no Brasil.
- A gente fica triste. Várias coisas acontecendo, todo mundo vendo, e o cara continua com uma atitude dessas, ofendendo as pessoas. Isso tem que acabar, o mais rápido possível, alguém tem que fazer alguma coisa para acabar com isso.
Francis, depois da partida, foi a delegacia em Florianopólis.- O companheiro dele estava do lado e ouviu. Até o companheiro repudiou a atitude que ele teve. Teve um escanteio ou um tiro de meta. O Ceretta passou por mim e eu falei: "Você viu o que ele falou para mim". Ele disse: "Vamos jogar, Francis". Acredito que ele não entendeu. Eu não disse o que era . No fim do jogo, eu estava saindo, de cabeça quente, e comuniquei ao gerente. Foi quando resolvemos ir à delegacia.
Foi o segundo caso de injúria racial em dois meses no futebol brasileiro. Na Copa do Brasil, o goleiro Aranha, do Santos, foi ofendido pela torcida do Grêmio, em Porto Alegre. O Tricolor foi punido com a perda de três pontos e acabou eliminado da competição. Ainda neste ano, o volante Tinga, do Cruzeiro, foi ofendido em jogo da Taça Libertadores, contra o Real Garcilaso, no Peru.
Francis, do Boa Esporte, registrou boletim de ocorrência após a partida.