Com a volta do Gigante da Redenção, o GloboEsporte.com testou os serviços oferecidos no local que contará com uma semana movimentada: irá receber a partida Vasco x Sampaio Corrêa, nesta terça-feira, às 21h50, pela Série B do Campeonato Brasileiro e a grande decisão do estadual no domingo, o segundo jogo entre River-PI x Piauí. Em resumo, o sentimento de reencontrar o Albertão aberto prevaleceu forte. Porém, houve ressalvas. E muitas. Problemas na entrada, banheiros sem água e sujos, falta de sinalizações foram algumas das reclamações. Mas o pior ficou por conta dos flagras de mijões nos corredores.
Não foram apenas um, dois, três... A equipe do GloboEsporte.com flagrou dezenas de mijões. A dez passos do banheiro, torcedores deixaram de usar o espaço e optaram usar as dependências do estádio, sem nenhum incômodo ou repreensão dos policiais militares. Ao ser questionado, um torcedor – que não quis se identificar – falou que não usou o banheiro por conta das filas. As desculpas esfarrapadas foram inúmeras. E o saldo foi de muita sujeira. (Veja vídeo ao lado)
- O banheiro é imundo, não tem como usar. É o jeito, todo mundo faz... Não é falta de educação – justificou outro torcedor.
De fato, a higiene dos banheiros foi um ponto comum de reclamação. Tanto o masculino quanto o feminino, não tinha água nas torneiras e vasos sanitários, o que gerou insatisfação. Ainda no campo da limpeza, faltaram lixeiras ao longo dos corredores.
- Os banheiros estavam podres. Fiquei com nojo. Ficamos com necessidade de usar, mas não podemos nem lavar as mãos. O papel higiênico tem que trazer de casa? Gostei da reabertura, pois sempre vinha assistir partidas aqui. Porém, esses serviços têm que melhorar para o torcedor – comentou a vendedora Maria das Graças, 41 anos, que mora na zona Sul da cidade.
Estádio Albertão na reabertura no último domingo.Portões abertos: logística complicada
O encontro com o Albertão mereceu uma longa paciência para o torcedor. Para promover a reinauguração, o Governo do Estado e a Federação de Futebol do Piauí fizeram a partida com portões abertos ao público. Para ter acesso ao ingresso, tricolores e rubro-anis tinham que trocá-lo por um 1kg de alimento não perecível. A organização, talvez, não esperava a boa recepção pela ideia. Longas filas se formaram do lado de fora do estádio, situação que trouxe certos tumultos.
Entrada do Estádio Albertão para primeira partida final.A troca de alimento era feita por um único portão, o das arquibancadas das cabines de rádio e TV. Logo depois, o torcedor tinha que encarar outra fila para entrar na praça esportiva, feita sem revista policial. A falta de informações foi criticada.
- Foi péssimo entrar. Deveria ter mais pontos de troca de alimento no dia de jogo. É um absurdo ficar esperando sem nenhuma informação do que fazer, como fazer. Nem sei se estou na fila certa. Com a confusão de ter ou não o jogo, ficou tudo indeciso. Com a demora não sei se dará parar ver o jogo. Quero assistir pelo menos o segundo tempo. Mas que bom o estádio foi aberto – falou Sebastião Freitas, servidor público.
Realmente, a demora na entrada do estádio pegou os torcedores desprevenidos. Quando a partida começou – por volta das 17h15 – muitos ainda estavam do lado de fora, na fila. Ou seja, muitos nem assistiram ao primeiro gol do River-PI, feito por Esquerdinha no primeiro minuto de jogo. Até às 18 horas, a reportagem registrou a entrada de torcedores. Depois do horário, alguns portões ficaram abertos sem a presença de algum membro da organização.
- Por onde entro, já terminou o primeiro tempo? – perguntou o pedreiro Fabiano Sousa, na pressa.
Com a maior lotação, o setor das arquibancadas especiais teve torcedores sentados no chão ou em pé acompanhando os lances da partida. De acordo com a Polícia Militar, não houve registros de incidentes. Em nota oficial, o Governo do Estado informou que o estádio recebeu cerca de 20 mil pessoas.
Alimentação: preço gera chiadeira
De um copinho de pipoca por R$ 2, passando pelo cachorro quente de R$ 3 até uma lata de refrigerante por R$ 4, o torcedor não reclamou muito da falta de comida no estádio. Nem mesmo no intervalo do jogo, quando o fluxo de consumidores foi maior. O serviço não teve o glamour das grandes redes de fast-food, mas foi feito por ambulantes nos corredores que souberam atender a demanda. Mas justamente o preço do refrigerante gerou discórdia.
- Uma lata de refrigerante por R$ 4 é brincadeira. Não é nem estádio com padrão Fifa. É um abuso – protestou o garçom Valdeci Ferreira.
A entrada de bebida alcoólica foi repreendida por policiais militares apesar da resistência dos torcedores. Mais muitos deram um jeitinho: acabaram comprando cerveja com comerciantes do lado de fora do estádio.
Acessibilidade ganha elogios, mas precisa de ajustes
A adequação do estádio para receber pessoas com deficiência física foi um dos pontos questionados pelo Ministério Público Estadual. A obra de R$ 450 mil, segundo a Fundespi (administradora do Albertão), incluía a construção de rampas de acesso, salas especiais, banheiros acessíveis, piso tátil e a instalação da plataforma elevatória para cadeirantes (ainda não incluída).
Cedeirantes elogiam acessibilidade no Albertão, mas fazem cobranças.- Antigamente tinha que vir carregado nos braços, subindo e descendo degraus. Melhorou muito. A rampa é boa, pois não é íngreme. Não precisamos de ajuda para chegar até o nosso espaço. Os banheiros também estão funcionando – comemorou Vagner Vasconcelos, de 34 anos.
No espaço construído, os torcedores destacaram o conforto, mas a iluminação durante o acesso foi cobrada.
- Estava muito escuro. Isso atrapalhou um pouco. Já tinha passado do tempo de termos um local confortável, porém precisa destes pequenos ajustes – ponderou Francisco Soares, de 50 anos, servidor público.
Cadeirantes no Estádio Albertão.

