Imagem: ReproduçãoClique para ampliarMoradores ocuparam um terreno após serem retirados de apartamentos.(Imagem:Reprodução)

Cerca de 200 famílias que foram retiradas dos apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida na região do Residencial Torquato Neto, na Zona Sul de Teresina, agora vivem um novo drama. Os moradores ocuparam um terreno particular e agora uma decisão judicial obriga eles a saírem do local.

Em junho do ano passado, essas pessoas tiveram que desocupar os apartamentos e a alternativa encontrada foi ocupar o terreno ao lado. A presidente da Associação de Moradores do Residencial Torquato Neto, Daiane Ferreira, explica que retirada das famílias partiu de um acordo.

"Na época que houve a desocupação dos apartamentos, as famílias iriam invadir a área ao lado, mas o dono do terreno mandou funcionários conversarem com a comissão. Eles garantiram que nós poderíamos construir as casas, porque a terra seria cedida e assim fizemos", contou Daiane Ferreira.

Este mês, os moradores foram informados que o proprietário teria mudado de ideia e a Justiça decretou a reintegração de posse. O prazo que os moradores tinham para deixar o terreno era até o dia 15 de março, mas depois de uma audiência pública eles conseguiram estendes até o fim da próxima semana para tentar reverter a situação.

"Se não houver um acordo, a ordem judicial será cumprida. Há várias formas de cumprimento, pelas interferências do proprietário com os ocupantes, do poder público com o dono do terreno e os moradores, e em último caso a desocupação", explicou a coronel Júlia Beatriz, coordenadora do Gerenciamento de Crise da Polícia Militar.

A dona de casa Aline Carvalho fez empréstimo e gastou do dinheiro da recissão para construir uma casa de tijolos no terreno cedido para os moradores.

"Não tenho para onde ir, porque não posso pagar a prestação do banco e o aluguel. Confiei em construir a casa aqui, já que o dono tinha cedido o terreno. Agora vou passar 24 meses pagando, por algo que não vou desfrutar caso seja despejada daqui", declarou.

A Associação de Moradores já entrou com recurso na Justiça e pediu a intervenção da Prefeitura de Teresina e Procuradoria Geral do Município. "Entramos com recurso na Justiça e na prefeitura e agora estamos esperando a decisão deles. Infelizmente, o prefeito marcou duas vezes reuniões e nenhuma das vezes fomos atendidos. Nós queremos que o poder público olhe para nós, porque não queremos nada invadido", comentou a presidente.

Nota
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, o terreno é particular e durante uma audiência pública na Câmara de Vereadores ficou acordado que as famílias iriam elaborar uma lista de reivindicações para ser enviada ao órgão responsável. Até agora a Coordenação de Habitação não recebeu o documento e que só depois disso é que a prefeitura poderá se posicionar sobre o assunto.

Ainda segundo a Secretaria, todos estas famílias já foram cadastradas no programa Minha casa, Minha Vida.