Ao saber das denúncias veiculadas no GLOBOESPORTE.COM de que os jogadores do Caiçara tinham salários atrasados, falta de material esportivo e alguns chegavam a dormir no chão e tomar banho de cuia, o presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado do Piauí, Vasconcelo Pinheiro, afirmou que irá pedir punições ao clube junto à Justiça do Trabalho. Além disso, Vasconcelo também culpou a FFP.
- A federação também tem sua parcela de contribuição nessa situação porque não observa se as equipes federadas têm condições de cumprir com suas responsabilidades – diz.
Já o presidente da federação, Cesarino Oliveira, nega ter responsabilidade sobre o caso. O dirigente máximo do futebol do Piauí ressalta que o que poderia ter sido feito pela entidade foi realizado, e que inclusive já havia recomendado a não participação do clube de Campo Maior na edição anterior do Campeonato Piauiense.
- A obrigação do sindicato é essa, está corretíssimo de cobrar, mas não dá para jogar a culpa na federação. Ano passado o Caiçara não participou porque não tinha condições, e nós pedimos para o presidente se estruturar para disputar em 2014. Eles foram os primeiros a se inscrever para o campeonato deste ano e mostraram convênio assinado com a prefeitura. O que poderíamos fazer em termos de acompanhamento nós fizemos – afirma Cesarino.
Vasconcelo Pinheiro pede punição ao clube e à federação de futebol.Segundo o presidente da FFP, a situação do Caiçara é algo que está fora da ossada da federação no cenário atual. Futuramente, o dirigente alega que podem existir medidas para coibir casos como este, mas que é algo que está fora da realidade do futebol piauiense no momento.
- O Fair Play financeiro ainda não chegou a todos os clubes. Isso é algo que evolui, futuramente pensamos que clubes que atrasem salários percam pontos ou sofram punição, mas ainda não chegamos a esse nível – diz ele.
Para o caso atual, o presidente da FFP afirma que não deverá haver punições para o Caiçara por parte da federação, já que não se trata de uma situação prevista no regulamento. Para ele, cabe à justiça do trabalho averiguar o que está acontecendo, porque o clube não está cumprindo com suas responsabilidades e aplicar as devidas sanções.
Entenda o caso
De acordo com Péricles Veloso, um dos quatro treinadores do Caiçara ao longo da temporada, o clube não oferece condições mínimas de trabalho para os atletas: falta de material esportivo, boa moradia, alimentação adequada e pagamento em dia. O ex-técnico afirmou que pagou o combustível para ir aos treinos do próprio bolso.
- Tinha jogador dormindo no chão em alojamento lá. Alguns não tinham nem local para ficar e acabavam tendo que dormir nas casas dos outros companheiros de time. É uma realidade triste, mas é isso que o Caiçara oferece como estrutura para seus funcionários. Sem contar que, além disso, ainda bancava o combustível de Teresina para Campo Maior todos os dias, comprava lanche para os jogadores. Tudo do meu próprio bolso. Lá é amadorismo total – diz.
