Formação do comercialA torcida do Palmeiras no Piauí, muito pelo contrário, foi muito bem receptiva. Apoiou o time até quando os jogadores pasaram pelo problema de não pousar em Teresina (após uma pane na posta de pouso do Aeroporto Petrônio Portela, na noite de terça-feira, o elenco palmeirense teve de ir para Fortaleza). Era a estreia da equipe contra o Comercial, da cidade de Campo Maior, interior do Piauí (a cerca de 85km da capital Teresina).
Formação do PalmeirasO roteiro parecia estar escrito: apesar de ser o atual Campeão Piauiense, o Comercial passa por uma crise que envolve a parte financeira e até política, sem apoio da Prefeitura Municipal de Campo Maior. Por conta disso, não eram poucos os que acreditavam numa goleada do Palmeiras em cima do time local. Ledo engano! A equipe piauiense demonstrou a força do 'Bode', animal que é o mascote do clube, e assustou o poderoso alvi-verde.
COMO FOI O JOGO
O Palmeiras parecia ter o domínio da situação. Já estava no segundo tempo, quando o time vencia o Comercial-PI por dois gols de diferença, no estádio Albertão, em Teresina, na noite desta quarta-feira, dia 23, quando ensaiava uma goleada, botando inclusive bolas na trave. O objetivo sempre foi o de evitar o jogo da volta em São Paulo, na próxima semana. Mas os palmeirenses não esperavam pela valentia do Comercial. Numa bola área, o Palmeiras vacilou e permitiu que Rafael, de cabeça, marcasse para o anfitrião e salvasse a viagem para a capital paulista com o placar de 2 a 1.
Comemoração do golFoi uma derrota comemorada pelo Comercial. Primeiro porque conseguiram surpreender uma equipe grande, considerada da elite do futebol brasileiro, apesar de todas as dificuldades. Segundo porque não os piauienses não foram desclassificados logo na primeira fase. Terceiro e mais importante: O Comercial garantiu sua temporada com o resultado. Como haverá partida de volta, o Bode ficará com toda a renda arrecadada no Albertão, pouco mais de R$ 250 mil, suficiente para bancar pelo menos seis meses de salários do clube (a folha é de R$ 40 mil). No jogo de volta podem passar à frente se marcaram um placar com dois gols de diferença ou com um gol de diferença desde que seja a partir de um 3 a 2. Os jogadores do Verdão lamentaram o fato de não conseguirem eliminar o adversário nesta primeira partida. E Luiz Felipe Scolari mostrou sua insatisfação. O duelo da volta será na próxima quarta-feira, no Pacaembu.
Comemoração do golOS GOLS, O CALOR E FELIPÃO
É claro que o Palmeiras demonstrou mais disposição e vontade que o Comercial, mas o time piauiense não se intimidava e sempre arriscava com contra-ataques perigosos. O Verdão só assustava na bola parada, sempre com Valdivia. O chileno já teve apresentação destacada, agora voltando de um período em recuperação. O gol saiu só aos 30 minutos do 1º tempo. Após bola perdida por Thiaguinho, aos 30 minutos, Kleber rolou para Valdivia e o Mago, vendo a defesa desarrumada, colocou a bola na cabeça de Adriano para o atacante fazer 1 a 0 e comemorar seu primeiro gol com a camisa do Palmeiras. Já no início do 2º tempo, aos 2 minutos, o Palmeiras fez o segundo. Após cobrança de lateral, Kleber recebeu, fez seu tradicional giro em cima do zagueiro e marcou 2 a 0 no placar.
Daí em diante parecia que a cara amarrada de Felipão voltou para o time inteiro do Palmeiras. O salto alto baixou e os jogadores amoleceram, achando que a partida estava ganha. Mais conservador, o Palmeiras permitiu o crescimento do Comercial, que começou a gostar novamente do jogo. Primeiro, Barata recebeu a bola na entrada da área e chutou para longe. Depois, Zé Rodrigues ajeitou para Thiaguinho cabecear livre, levando muito perigo à meta de Bruno. O gol da “salvação” do Comercial não demorou a sair.
Aos 30, Barata cobrou escanteio e o zagueiro Rafael subiu mais do que Maurício Ramos para cabecear e diminuir o placar: 2 a 1. Salários do ano e visita a São Paulo garantidos. O atacante Kleber pôs a culpa no calor: "Nós sentimos o calor de Teresina. O Comercial fez um gol em bola parada, que há muito tempo não tomávamos gols assim". Felipão foi mais duro e, polêmico como sempre, ironizou o desempenho de sua equipe: "Eu não me desgasto em nada, quem vai se desgastar são eles, que vão correr. Eu fico sentadinho no meu canto, quieto, está bom demais. Quem vai ter que se preocupar novamente com o Comercial sou eu, organizando o time, mas o desgaste é deles em campo".