Concurseiros questionam salários e desistem de concorrer a vagas no PI
25/04/2016 às 10:57 Atualizado em 25/04/2016 às 11:05 3 min de leitura
"Eu nunca me inscrevi em um concurso para o interior justamente por conta dos salários que não são atrativos. Além de você ter que se deslocar para uma cidade do interior nessas condições,o número de vagas que também é pouco. E tem ainda outra questão: por ser ano eleitoral fica aquela desconfiança em relação aos concursos", falou a nutricionista Camila Eugênia de Oliveira.
No município de Lagoa Alegre, a 77 km de Teresina, o edital de um concurso que está sendo realizado pela prefeitura oferece vagas para vários cargos. O que chama atenção é que o salário para médicos e enfermeiros é exatamente o mesmo. São R$ 2.300 e mais gratificação para as duas profissões, mas a carga horária do enfermeiro é de apenas 20 horas, enquanto a do médico é o dobro.
No mesmo edital, também é oferecida vaga para psicólogo com salário de R$ 1.500 mais a gratificação. O presidente do Conselho Regional de Psicologia do Piauí, Eduardo Moita, questiona os baixos salários e ausência do cargo em vários outros editais lançados no estado.
"Existem concursos públicos sendo realizados que têm salários menores para psicólogos do que para nível médio e isso não pode acontecer, pois é nível de terceiro grau. Estamos fazendo notas de repúdio aos concursos com esses valores e tentando encaminhar um pedido de audiência ao Ministério Público para poder ter audiência com esses prefeitos", falou.
Na prefeitura de Esperantina, a 180 km de Teresina, o edital do concurso público prevê salários para o cargo de nutricionista, que exige ensino superior, iguais ao de pedreiro, em que o candidato não precisa ter o ensino fundamental completo.
Segundo a Ordem dos Advogados Secção Piauí (OAB-PI), essas distorções podem ser questionadas na Justiça, pois os editais não podem trazer salários e cargas horárias diferentes das estabelecidas em lei para cada cargo.
"Quando o edital não cumpre o piso salarial e traz uma jornada de trabalho diversa do que a lei federal da categoria estabelece, ele está sujeito a controle de legalidade. A categoria pode acionar o Ministério Público", disse o advogado Hassan Said Souza, integrante da Comissão de Controle da Atividade Pública da OAB-PI.
Fonte: G1 PI
O que você achou desta matéria?
Seja o primeiro a avaliar
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.