Criança de 11 anos sendo explorada em semáforo de Teresina.Segundo uma testemunha que não quis ter sua identidade revelada, uma mulher posiciona os garotos em pontos mais movimentados e fica escondida para não chamar a atenção. “Os meninos dizem que a mulher é avó deles. Ela fica escondida e quando os jovens recebem dinheiro ela recolhe tudo”, afirmou.
Ainda de acordo com a testemunha, as crianças passam o dia sem se alimentar. “Quando não vendem a pá, ele pede qualquer quantia, mas a mulher toma todo o dinheiro conseguido por eles. Esses meninos ficam sem comer o dia inteiro e bebem água das torneiras de um posto de combustível”, revelou.
Com uma câmera escondida, a reportagem do G1 conversou com uma das crianças que disse ter 13 anos e confirmou que os objetos vendidos pertenciam à avó. O garoto afirmou ainda que é natural de Timon, no estado do Maranhão.
“Cheguei aqui por volta das 10h e só vou sair daqui quando vender tudo. Se eu vender as dez pás eu ganho a metade. Uma custa R$ 5,00. Caso eu consiga vender todas posso ganhar até R$ 25,00”, contou.
O menino disse ainda que andava com mais três amigos que também tinham que conseguir dinheiro. “Meus amigos estão do outro lado vendendo pá e pedindo dinheiro”, falou.
O conselheiro tutelar Djan Moreira, apontou que existe uma forte questão cultural envolvida na exploração do trabalho infantil. “Muitas pessoas acham que os filhos devem ajudar a família na questão financeira, pois um dia eles também foram obrigados a colaborar. Preferem ver o filho trabalhando do que marginalizado”, afirmou o conselheiro.
