No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, instituído neste dia 2 de abril, ela inicia mais um passo na mobilização que visa expor e acabar com o preconceito e capacitismo contra pessoas com autismo.
Manifestação por direitos
Em referência ao dia, Astrid e outros pais e familiares de pessoas com autismo realizam uma manifestação diante da Assembleia Legislativa do Piauí, na Zona Norte de Teresina.
Segundo Astrid, o local escolhido é o símbolo das leis, e esse é um dos principais problemas enfrentados por pais e familiares de autistas: legislação que garanta os direitos das pessoas do espectro autista. Além das dificuldades de encontrar tratamentos com cobertura pelos planos de saúde.
No Dia mundial do Autismo, familiares de autistas farão mobilização em frente a Assembleia Legislativa do Piauí.“Os maiores problemas encontrados pelos pais são o não cumprimento das leis ou a falta delas. É uma luta para conseguir vagas em bons tratamentos, os planos de saúde são um calo na vida da família de um autista”, explicou ela.
O momento será usado ainda para orientar sobre o autismo e combater os preconceitos, expor a falta de inclusão escolar, o bullying e a falta de capacitação de profissionais.
Descoberta e desafios
Segundo ela, quando o primeiro filho foi diagnosticado, o sentimento inicial foi de luto e tristeza. Em seguida, mergulhou em terapias, diagnósticos, relatórios escolares e decidiu não contar ao filho sobre autismo.
"Ele somente soube que era autista aos nove anos. Nessa época, o Serginho vivia a pior fase da realidade da exclusão nas escolas. Foi quando Gabriel, com três anos e meio, foi diagnosticado com TEA", disse
Diante da descoberta do autismo com o filho mais novo, a jornalista decidiu mudar o rumo da vida dos filhos e transformar os desafios em uma luta pelos direitos deles e de outras pessoas que fazem parte do espectro.
Autismo Legal em Teresina
Criado para disseminar os direitos da pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em 2017, o movimento foi responsável por acionar o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Piauí (OAB-PI) para notificar as escolas quanto à adaptação de aulas remotas para todas as Pessoas com Deficiência no período da pandemia. Em 2021, Astrid deu início à série de palestras “Relatos de mãe” que tem como objetivo contar sua história e aconselhar famílias de como enfrentar o preconceito, capacitismo e falta de inclusão escolar, além de orientações sobre direitos de autistas.
Transtorno do espectro autista
O transtorno do espectro autista (TEA) é caracterizado por uma alteração no desenvolvimento cerebral que causa mudanças na comunicação social e comportamentos repetitivos e estereotipados.
Para quem vive com o quadro, alterações sensoriais, como o incômodo extremo com certos barulhos ou texturas, e um repertório específico de interesses - chamado também de hiperfoco - costumam ser comuns.
"Os autistas têm uma maneira diferente de perceber o mundo. Isso faz com que eles voltem a atenção para outros elementos do ambiente que não são necessariamente os estímulos sociais. Em um ambiente cheio de gente, por exemplo, é possível que o barulho de um instrumento ou do motor de um carro na rua chame mais atenção do que a voz das pessoas", explica a psiquiatra Mirian Revers Biasão, professora da Escola Internacional de Desenvolvimento (EID).