Para a família, no entanto, Debora não estava morta. Ela já tinha precisado passar por uma reanimação cardíaca na última quinta-feira e no domingo teria tido a última. Os familiares, então, optaram por acionar uma funerária e levaram o corpo da jovem para casa. O caixão ficou dentro da sala da residência até esta terça-feira.
"Eu acho que não reanimaram ela no domingo. Deixaram ela morrer. Fizemos todos os exames nela e falaram que ela estava com diabetes também. Depois, teve a infecção generalizada e os rins pararam. No domingo ela piscou um olho, estava respirando fraquinho. Ela se mexeu. Procuramos um médico daqui de perto, mas ele tem problemas com a minha família e se recusou a atender. O corpo ficou no caixão, na nossa sala. Checamos o tempo todo, estávamos abrindo os olhos dela para ver se tinha o brilho, verificamos a pele dela, a temperatura também estava tudo normal. Verificamos até a pressão dela, mas não dava nada. Era muito fraca", contou Marta.
Diante do caso, vizinhos e curiosos se aglomeraram na residência da família. Um vídeo mostra a confusão no local após a polícia retirar o corpo no caixão fechado. Nesta terça-feira, a Polícia Civil foi acionada. O delegado da 12º DP (Rio Largo), Manuel Wanderley Cavalcante, junto com o Ministério Público Estadual, ordenou o recolhimento do corpo para o Instituto Médico Legal, onde a morte de Debora foi atestada.
"O óbito dela foi constatado pelo hospital às 14h10 do domingo. A unidade emitiu uma certidão de óbito e liberou o corpo. O procedimento certo era ir direto para o serviço de verificação de óbito do estado. Mas a família pegou o corpo, chamou uma funerária e levou para casa. No mesmo dia, por volta das 21h, eles disseram que ela respirou. Colocaram na cabeça que ela estava viva. Passou a segunda-feira e eles não procuraram ninguém. Hoje fui lá, sustei o velório, isolei a área e transladamos o corpo para o IML. Lá constataram a morte dela", disse o delegado.

Ainda segundo ele, um procedimento foi instaurado para apurar a real causa da morte e a data do óbito:
"O que nos intriga e que vamos investigar é se ela realmente faleceu às 14h10 do dia 12 ou se morreu posteriormente por asfixia provocada pelos algodões colocados no nariz e no esôfago. Caso fique comprovado que ela morreu depois, o hospital será responsabilizado".
A irmã de Debora contou que a família retirou os algodões do nariz da jovem, mas manteve os que estavam na boca.
"A enfermeira disse que se a gente retirasse iríamos sentir um mau cheiro. Tiramos apenas o do nariz. Mas acho que ela morreu por falta de atendimento médico", disse a jovem.
Um vídeo gravado no domingo e que circula pelas redes sociais mostra Debora dentro do caixão e diversas pessoas em volta do corpo. Uma pessoa mexe nas mãos da jovem e o dedo dela se move. O delegado afirmou que já intimou a pessoa que gravou as imagens para prestar depoimento.
"A pessoa já foi intimada e vamos checar o vídeo. Mas não é incomum que seja um espasmo. Eu nunca me vi em uma situação dessas. Tenho 38 anos de polícia e é a primeira vez que vejo um caso deste tipo", explicou o delegado.
O corpo da jovem passou por necropsia na tarde de terça-feira. O resultado da perícia será encaminhado ao delegado até a próxima quinta-feira (16), segundo ele.