- Quando existe uma suspeita de concussão, o árbitro deve parar o jogo por três minutos. Porque três minutos é o tempo necessário para o médico do time avaliar a situação do jogador. Claro, se ele está inconsciente, a decisão é tomada rapidamente. Mas existem situações em que ele precisa falar com o jogador e perguntar: "você está em um campo de futebol ou em um supermercado?" - comentou Michel D'Hooghe.
Alvaro Pereira, do Uruguai, chegou a ficar inconsciente, mas voltou a jogar contra Inglaterra.O assunto ganhou importância e preocupação para a Fifa na Copa do Mundo realizada no Brasil esse ano. No torneio, cinco jogadores sofreram choques na cabeça, sendo o caso do uruguaio Álvaro Pereira, na partida contra a Inglaterra, quando chegou a ficar inconsciente por alguns instantes, o mais emblemático. Na ocasião, o lateral esquerdo celeste deu um carrinho e bateu a cabeça no joelho do atacante inglês, ficando desacordado, mas se levantou em seguida, contrariando o médico e o técnico do Uruguai para retornar à partida.
No Brasil, o tema também já vem sendo debatido entre os especialistas. O Comitê Médico da Federação Paulista de Futebol (FPF) se reuniu recentemente para pensar em novas formas de proteger os jogadores.
- O que a gente vai sugerir é que, quando tenha uma perda de consciência, é que não haja dúvida e o atleta deva ser substituído compulsóriamente. Mas que, para não dar essa decisão, como a federação inglesa dá para o juiz, que o árbitro faça a pergunta ao médico do clube se aquele atleta tem condição de retornar ou não - disse o médico Jorge Pagura, lembrando que, no Campeonato Inglês, todo atleta que perde a consciência em campo é obrigado a ser substituído.
Outra proposta do Comitê Médico da FPF é incluir, no início da temporada, exames completos com as funções cerebrais dos atletas, criando assim, um banco de dados de comparação para os jogadores que vierem a sofrer alguma concussão.
- Assim como o Eletrocardiograma faz um exame do coração antes de começar a fazer exercício e ao longo tempo, a gente vai ter como ele era originalmente. Na concussão, a gente tem esses testes de pré-temporada, então, sabemos como é o normal dele, sabemos qual é o basal dele e, assim que ele tiver um trauma, sabemos comparativamente que ele está alterado ou não, e conseguimos consequentemente seguir a evolução falando que ele está apto ou não a voltar a jogar - falou o médico Marco Eid.
Por ser um "inimigo oculto", já que não há lesões aparentes, mas sim, funcionais, a concussão cerebral dos jogadores parece entrar de vez na pauta da Fifa. Em outros esportes, como por exemplo o futebol americano, já ficou comprovado que o repetido trauma na cabeça ao longo do tempo leva a uma série de problemas futuros. Muitos atletas, inclusive, já processaram as ligas em que jogaram por terem desenvolvido doenças cerebrais.
Zagueiro Indi, da Holanda, precisou ir ao Hospital, após choque na Copa.
