Nico Laprovittola: eleito craque da Copa Intercontinental de Clubes.Assim que o cronômetro zerou, a torcida do Flamengo invadiu a quadra para festejar junto com os jogadores, num ambiente de euforia generalizada. A polícia teve que ser acionada para retirar os torcedores, e o locutor da Arena avisou pelo alto-falante que a premiação só aconteceria depois que a quadra fosse devidamente esvaziada.
Capitão rubro--negro, Marcelinho Machado levanta o troféu.Com 24 pontos e seis rebotes, o argentino Nicolas Laprovittola, que terminou a partida eliminado com cinco faltas, foi o grande nome da conquista rubro-negra - e eleito melhor jogador do torneio (MVP). Jerome Meyinsse, que anotou 22 pontos e cinco rebotes, e Marquinhos, com nove pontos, quatro rebotes e duas assistências, também se destacaram. Pelo lado israelense, Jeremy Pargo, cestinha do jogo com 28 pontos, sete assistências e seis rebotes, Keith Hayes, com 15, e Guy Pnini, que contribuiu com 10, foram os maiores pontuadores.
Com o campeão da Euroliga no bolso, a equipe rubro-negra agora vai arrumar as malas para encarar os jogos contra Phoenix Suns, Orlando Magic e Memphis Grizzlies pela pré-temporada da NBA.
Antes do feito rubro-negro, o Sírio, de São Paulo, era o único time brasileiro com um título de expressão internacional: o Mundial Interclubes de 1979, superando o Bosna, da antiga Iugoslávia, na final. No ano passado, o Pinheiros disputou o título intercontinental com o Olympiacos, da Grécia, mas perdeu as duas partidas da decisão, em Barueri.
Olivinha nos braços da torcida, dentro da quadra.Susto e reação
A tarde de domingo começou esquisita para o Flamengo. Mesmo com a Arena da Barra quase lotada, os frios rivais nem deram bola para a pressão e decidiram matar bolas. Foram três seguidas, uma delas de três de Pnini, que deram uma vantagem de 7 a 0 para os visitantes em pouco mais de dois minutos de jogo.
José Neto confiou no taco de seus jogadores e segurou um pedido de tempo que poderia ser providencial àquela altura. A decisão deu certo, e Marquinhos começou a reação numa bola de três. A torcida foi junto com o time, e o Maccabi até então 100% passou a errar. Melhor para os donos da casa, que com outra bola de três de Marquinhos e uma cesta na marra de Jerome Meyinsse, assumiram a liderança pela primeira vez.
Cestinha da partida, Jeremy Pargo tenta passar por Marcelinho.José Neto mudou o time quase todo e voltou para o segundo quarto com Benite, Olivinha e Caracter, além dos titulares Laprovittola e Herrmann. Mas o cartão de visitas na volta para a quadra foi de Hayes. Com uma bola de três, o armador americano recolocou o Maccabi à frente. O jogo então passou a ser lá e cá, assim como a liderança, que mudava de lado a todo instante.
Mas a pouco mais de cinco minutos do fim do primeiro tempo ela resolveu se estabelecer do lado rubro-negro. De volta, Marcelinho desencantou com cinco pontos seguidos, três deles na sua primeira bola de três nessas finais, e ampliou a diferença para sete pontos (39 a 32). O momento era todo do capitão rubro-negro, que em outra bonita jogada individual deixou Olivinha livre para marcar mais dois. O lance fez a Arena da Barra delirar.
Incrédulos, os campeões da Euroliga sentiram a pressão, passaram a errar um ataque atrás do outro e ficaram mais de três minutos sem pontuar. A seca acabou a 1m38s do fim, num lance livre solitário de Jeremy Pargo. Foi o suficiente para o treinador para José Neto parar o jogo. Embora o pedido de tempo tenha sido feito pelo Flamengo, a irritação no banco estava do outro lado. Aos berros e num dialeto só dele, que misturava hebraico e inglês, Guy Goodes não perdoou e "passou o sabão" em seus comandados.
Laprovittola tenta barrar a bandeja de Landesberg.
