Menino de 13 anos foi encontrado debaixo da cama de um detento.A promotora da Infância e Juventude, Joselisse Carvalho, solicitou a justiça uma medida de proteção para que o adolescente de 13 anos encontrado dentro de uma cela Colônia Agrícola Major César Oliveira, juntamente com seus irmãos de 8 e 9 anos retorne ao convívio familiar.
Os meninos tinham sido afastados dos pais e enviados para um abrigo por uma determinação da juíza da Vara da Infância e da Adolescência, Maria Luiza de Moura, que considerou a situação deles de extrema vulnerabilidade. Agora, a promotora procura algum parente que possa cuidar das crianças.
“O pedido foi feito, mas não posso informar muita coisa porque o processo deles corre em segredo de justiça. Na infância, a gente pressa para que a criança impossibilitada de ficar com os pais fique com alguém da família, desde que tenha a devida segurança e os devidos cuidados. Tudo isso é averiguado e estamos buscando alguém que fique com eles de forma segurança”, declarou.
A justiça decretou a prisão do pai e do detento com quem o garoto ficou e negou o pedido de prisão da mãe do adolescente, sob alegação de que apesar de ter sido negligente, ela possui bons antecedentes e não queria que o menino dormisse na penitenciária.
O pai foi preso assim que o mandado foi expedido, na própria delegacia de Altos, quando buscou o delegado para comunicar que faria uma viagem, mas já ficou detido. Já o cumprimento do mandado de prisão contra o detento se deu na Colônia Agrícola Major César Oliveira. Ele será conduzido novamente para o regime fechado, já que cumpria pena no semiaberto.
Garoto dormiu em ala com sete presos por estupro
Para o delegado Jarbas Lima, o abuso sexual não ocorreu, mas tudo leva a crer que o garoto poderia ser molestado. Ele destacou que a ação diligente dos agentes penitenciários na vistoria talvez tenha impedido o crime.
"Não houve nem tentativa e o nosso código não pune os atos preparatórios. Mas se o menor está em uma cela juntamente com um cidadão que já cometeu um crime sexual, a possibilidade, a periculosidade e vulnerabilidade do menor ser abusado são grandes. O que sabemos é que o menor recebia bombons, biscoitos e outros produtos do preso. Geralmente os abusos sexuais se iniciam justamente com presentes e pessoas próximas. Será que os irmãos já foram abusados? Tudo isso será apurado", destacou.
Delegado Jarbas Lima apura estupro de vulnerável em criança.A ala da Colônia Agrícola Major César Oliveira onde o adolescente de 13 anos foi encontrado abriga pelo menos sete presos que cumprem pena por estupro, segundo o Sindicato de Agentes Penitenciários do Piauí (Sinpoljuspi). O sindicato disse que o garoto permaneceu por cerca de 18 horas na penitenciária. Segundo a Secretaria de Justiça (Sejus), a ala abriga 25 presos, a maioria por crimes sexuais.
Conforme a Secretaria de Justiça (Sejus), o prédio em que o adolescente foi encontrado é um espaço que costuma abrigar presos de um perfil específico e todos circulam livremente pelo local, podendo ter acesso ao garoto.
“Aquele local é diferenciado, para presos que apresentam determinado tipo de comportamento. Quem fica lá são detentos que respondem por crime sexual”, explicou o responsável pela Diretoria da Unidade de Administração Penitenciária (DUAP), o tenente-coronel Adriano Lucena.
O presidente do Sinpoljuspi, José Roberto, disse que não é possível ainda afirmar o que aconteceu na ala durante o tempo em que o garoto ficou por lá, cerca de 18 horas. O menino confirmou o tempo que ficou no presídio em depoimento à polícia. Ele teria chegado às 8h da manhã e saído apenas às 2h da madrugada do dia seguinte, quando foi achado por agentes penitenciários.