Hemopi participa de estudo sobre o vírus HTLV e alerta para subnotificação
09/11/2023 às 11:31 Atualizado em 09/11/2023 às 11:35 4 min de leitura

No Piauí, o vírus foi objeto de estudo dos acadêmicos de medicina da Universidade Federal do Piauí (UFPI-Picos) Marcos Furtado, Pedro Victor Rocha, Filipe Siqueira, sob orientação do Professor Doutor em Farmacologia Ítalo Rossi e do biomédico e doutor em Ciências Morfofuncionais (UFC), João Antônio Miranda. O estudo também teve a participação do biomédico Abílio Neto, coordenador do Laboratório do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Piauí (Hemopi), responsável por fornecer os dados para o estudo, já que os testes sorológicos que detectam o HTLV são obrigatórios em todos os hemocentros do Brasil desde 1993. Os resultados foram apresentados no XVI Simpósio Internacional sobre HTLV, realizado em João Pessoa (PB).
O estudo foi feito com dados de doadores de sangue de Teresina e também do Hemocentro Regional de Picos e mostrou resultados diferentes. Em Teresina, foram analisados 306 casos de doadores de sangue registrados no período de 10 anos (2012 a 2021) que acusaram HTLV nas amostras coletadas no ato da doação de sangue. Do total, 152 retornaram para a coleta de uma segunda amostra e confirmaram o diagnóstico positivo; 62 negativaram, 10 casos foram inconclusivos e 82 não compareceram para refazer o exame.
Em Picos, ao longo do mesmo período de 10 anos foram registrados 17 casos, sendo que destes, apenas 7 retornaram para coletar a 2ª amostra e todos foram confirmados.
“O perfil epidemiológico mostrou que, em Teresina, a maioria dos pacientes são mulheres adultas, pardas, solteiras e com escolaridade média. Já em Picos também prevalece pacientes do sexo feminino, adultas, mas que se identificam como brancas e tem baixa escolaridade”, revela o acadêmico de medicina, Pedro Victor Rocha.
Pedro Victor explica ainda que 2016 foi o ano com maior identificação de casos. “É um vírus pouco testado e investigado entre a população sexualmente ativa no Brasil. O mecanismo de proliferação do vírus no corpo é idêntico ao do "seu primo" HIV, mas o desenvolvimento das complicações é mais lento, porém existem as exceções”.
Um dos objetivos do estudo é tornar a testagem obrigatória, para além dos hemocentros, pois a subnotificação é um dos principais problemas apontados. “Todos os serviços direcionados a gestantes deveriam fazer os testes para HTLV, pois a transmissão vertical – de mãe para filho seja na gestação, parto ou amamentação – é predominante na grande maioria dos casos notificados no país. As estimativas apontam que 2,5 milhões de brasileiros estão infectados, mas não sabem”, diz Marcos Furtado.
Entenda mais sobre o HTLV:
O HTLV é transmitido através do contato direto de célula para célula seja em uma relação sexual desprotegida (sem uso de preservativo) com parceiro infectado, compartilhando seringas e agulhas, ou através da amamentação (transmissão vertical de mãe para filho).
As principais alterações de saúde relacionadas ao HTLV são dificuldade para andar, levantar-se de cadeiras e subir escadas, bem como urgência para urinar, sensação de que a bexiga não se esvazia por inteiro após urinar, além de ínguas, lesões de pele e inflamação nos olhos.
O HTLV está associado ainda a oncogênese e a doenças inflamatórias crônicas, como a Leucemia/Linfoma de Células T do Adulto (ATLL) e a Mielopatia associada ao HTLV-1 (HAM). Outras manifestações como a Dermatite Infecciosa, Uveíte, Síndrome de Sicca, Ceratite Intersticial, Síndrome de Sjögren, Tireoidite de Hashimoto, Miosite e Artrite, embora de menor gravidade, também estão associados a infecção por esse vírus.
Ao ser confirmado o diagnóstico, o tratamento é direcionado de acordo com a doença relacionada ao HTLV. A pessoa deverá ser acompanhada nos serviços de saúde do SUS e, quando necessário, receber atendimento em serviços especializados para diagnóstico e tratamento precoce de doenças associadas ao HTLV.
Atualmente, a confirmação do HTLV é feita através de testes sorológicos realizados pelos hemocentros em todo o Brasil, mas restrito somente aos doadores de sangue ou através dos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).
No Hemopi, os testes de quimioluminescência são realizados em laboratório próprio e seguem os protocolos exigidos pela legislação atual em relação à Política Nacional de Sangue. “Uma vez positivo na triagem sorológica, ainda é necessário o teste confirmatório, para fins de diagnóstico. Tomar conhecimento da infecção é fundamental para controlar a transmissão do vírus, por isso, a prevenção é essencial para evitar o contato com o HTLV", explica o coordenador do Laboratório do Hemopi, Abilio Neto.
Fonte: Governo do Piauí
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