
A partir de 1982, com a explosão nacional da banda Blitz, o mercado fonográfico se abriu para grupos de rock. E entenda-se por rock não somente o gênero musical que veio ao mundo nos anos 1950, mas uma atitude. Um conceito. Uma linguagem. A MTV sintonizou o jovem brasileiro que falava essa língua, mas que ainda não tinha uma emissora de TV exclusivamente musical para ouvir músicas e ver clipes.
A imediata sintonia entre a MTV e o público-alvo da emissora legitimou o investimento. E o fato é que, ao longo dos anos 1990, aparecer na MTV – de preferência com clipe bem conceituado por VJs, jornalistas, apresentadores e pela audiência – foi fator decisivo para o sucesso de uma banda ou de um cantor associado à estética pop da emissora.
A abertura desse canal visual de comunicação com o público jovem contribuiu para a consolidação nacional de bandas brasileiras surgidas nos anos 1990, como Skank e O Rappa, para citar somente dois grupos que entenderam a importância capital de um clipe bem filmado e investiram alto (com o dinheiro das respectivas gravadoras...) em produções de vídeos.
Somada à força comercial dos programas da série Acústico MTV, logo transformados em discos que injetaram ânimo em carreiras que pareciam ter perdido o fôlego inicial (como pareceu serem os casos dos Titãs e do Kid Abelha em 1997 e em 2002), a propagação dos clipes – a rigor e desde sempre, as maiores estrelas da MTV – fez da emissora um motor fundamental para o pleno funcionamento da indústria da música no segmento pop que englobava gêneros musicais como rock, rap, funk e reggae.