
“O certo amanhã é conversar com os DJs antes de começar”, grita uma delas de trás de um notebook. Os colegas discutem e tentam falar mais alto que os estouros que saem de um estúdio ao lado e mais cinco salas de gravação nos andares abaixo.
A parede está cheia de discos de ouro de Matheus & Kauan. O dono da mansão luxuosa transformada em estúdio é Kauan. Mas de 7 a 12 de fevereiro ela está alugada pela produtora de funk GR6 para um projeto ambicioso: o maior “intensivão” do funk do Brasil.
A linha de montagem tem os maiores MCs e DJs de SP em dezenas de colaborações por dia. É esse ritmo frenético que enlouquece a equipe jurídica da GR6. A tarefa deles é fazer o registro legal das músicas em tempo real - 50 faixas foram criadas só nos 2 primeiros dias dos 7 marcados.
O som da mansão segue a linha de sucesso do funk atual: faixas longas, que costumam passar dos dez minutos e dos dez artistas, entre DJs. cantores e autores. O tal papel amassado com garranchos tinha os créditos anotados por um DJ de uma das faixas a serem registradas.
A música pop mundial está cheia de “camps” - ou “acampamentos”, reuniões de compositores para passar dias compondo. A “Feira da Música” é mais do que isso: é tudo não só composto, mas também gravado, produzido, finalizado e registrado lá - sem parar.
O material vai abastecer durante meses o mercado de funk - tanto de artistas da GR6, maior empresa do estilo, quanto outros de agências parceiras e até sua antiga rival, a Kondzilla.
O volume de produção profissional em tão pouco tempo, a quantidade de astros criando e gravando juntos, a estrutura de som e produção, o cacife atual da empresa, a presença de executivos de grandes gravadoras, palestras, shows e filmagens: é uma união de fatores inédita em uma maratona de funk.
Dentro de um dos seis estúdios, o MC Hariel lê as rimas que escreveu no celular logo antes nos fundos da mansão , enquanto conversava numa rodinha com os MCs Ryan, G15 e Jottapê, ao som de uma batida seca e arrastada feita pelo DJ Perera.
O Menor da VG improvisa um funk consciente sobre o preço da carne e da gasolina ao som das batidas dos DJs Murillo e LT. Enquanto produz, Murilo come um prato gigante de sushi e oferece um pouco ao repórter do g1.
O clima mistura trabalho pesado e encontrão de amigos. Difícil pensar em alguém mais que não passou ou vai passar por lá: Kevinho, Jerry Smith, Rick, GBR, Pedrinho, Drika, Don Juan...