
Lançada em 1973, Retalhos de cetim é a música mais conhecida do artista nessa linha mais interiorizada. Se não for amor surgiu em 1974, no rastro do tema anterior, roçando a inspiração e o sucesso do samba-canção de 1973.
No songbook Benito 80, gravado em estúdio sob direção artística e produção musical de Rodrigo Vellozo (filho do artista) e Romulo Fróes, coube a João Bosco cantar Se não for amor em gravação de quase cinco minutos que abre os trabalhos promocionais do álbum em single programado para chegar ao mundo digital na quinta-feira, 14 de abril.
Bosco integra o elenco de 16 artistas convidados a regravar músicas do compositor para celebrar o legado e os 80 anos de Benito Di Paula, completados em 28 de novembro de 2021.
Quando participa de tributos coletivos, o cantor, compositor e violonista mineiro costuma se bastar sozinho ao violão, tocado por Bosco com sintaxe singular.
Contudo, na gravação de Se não for amor, Bosco harmoniza a voz e o violão com os sopros orquestrados por Thiago França. Os sopros de Allan Abbadia (trombone), Amilcar Rodrigues (trompete), Maria Beraldo (clarone), Grazi Pizani (trompete), Pedro Moreira (trombone) e do próprio Thiago França (saxofone e flauta) sublinham a melancolia de melodia afinada com versos que expõem o pensamento de amante que prefere ficar com a ilusão de ser amado a macular coração ainda virgem com a rejeição da paixão.
É como se os sopros reforçassem o que está sendo cantado por Bosco com emoção depurada, sem excesso de melodrama.
Pelo fato de Bosco seguir caminho próprio, ao lado de Thiago França, com estilo, o single Se não for amor se tornou belo cartão de visitas para Benito 80, songbook que apresentará gravações inéditas de Criolo (Charlie Brown, 1974), Juçara Marçal (Retalhos de cetim, 1973) e Ná Ozzetti (Depois do amor, 1974), entre outros nomes.