Justiça decide que brasileiro preso na Rússia será julgado por crime mais grave do que atual e, caso
28/08/2020 às 18:33 Atualizado em 28/08/2020 às 18:39 5 min de leitura

Na mesma sessão em que determinou esta mudança, no dia 9 de julho, a juíza O.V. Pischukova renovou a prisão preventiva de Robson até outubro deste ano. Quando chegar este dia, o motorista completará 1 ano e meio de prisão, sem que nada do que se produziu até agora seja aproveitado e sem qualquer perspectiva de liberdade.
Na avaliação da magistrada, Robson teria cumprido todas as etapas para, efetivamente, praticar o tráfico. Ele não teria somente preparado o crime, mas dado um passo a mais. Nas palavras dela, pelo que consta nos autos do processo, o motorista teria "adquirido, armazenado, transportado" a substância, e somente não concretizou o crime por "motivo independente dele".
Essa avaliação ocorre porque não há no processo qualquer declaração, documento ou prova de que o remédio não foi comprado pelo motorista, tampouco que foi ele quem planejou levá-lo para a Rússia. O lado da história que só se sabe no Brasil, de que o medicamento era para uso do sogro do jogador Fernando, William Pereira de Faria, não aparece no processo penal.
Tanto a defesa de Robson, feita pelo advogado Pavel Gerasimov, quanto a promotora russa K.V. Cherkasova recorreram da decisão. Para a promotoria, o réu já estava qualificado adequadamente. Ainda não há decisão a respeito.
Até o momento, Robson respondia por preparação para o tráfico de drogas internacional e contrabando. A pena para contrabando de acordo com as leis russas vai de 10 a 20 anos de prisão.
Mais uma audiência adiada
Em junho, o blog publicou matéria informando que o processo teria de voltar ao início porque o juiz do caso se aposentou. Pelas leis russas, quando isso acontece, o novo responsável deve colher todos os depoimentos novamente e nada do anterior pode ser considerado válido.
A decisão de anular tudo e reiniciar a fase de investigação foi tomada na primeira audiência da nova juíza, O.V. Pischukova. A expectativa é que a análise dos recursos seja feita na próxima audiência, marcada para o próximo dia 3. Esta audiência já foi remarcada duas vezes. A última remarcação aconteceu nesta sexta-feira, quando a sessão não pôde acontecer por problemas técnicos no sistema de videoconferência do presídio onde o brasileiro está, em Kashira, próximo a Moscou.
Antes desse adiamento, pelo menos outras três foram adiadas por questões técnicas do sistema judiciário ou prisional do país. Em uma delas, Robson faltou porque justiça e presídio não se comunicaram. Numa outra, a viatura do presídio estava quebrada.
Entenda o caso:
Robson Oliveira é acusado de tráfico internacional de drogas por ter entrado no país, em fevereiro do ano passado, com duas caixas de remédios ( Mytedom 10mg ou cloridrato de metadona) comprados pela família do jogador de futebol Fernando, volante, ex-seleção brasileira e atualmente no Beijing Guoan. De acordo com todos os depoimentos à imprensa - inclusive da família do atleta - os medicamentos foram levados para o país em uma mala que foi entregue fechada a Robson por um funcionário da família, no embarque no Rio de Janeiro. O motorista não sabia que havia na bagagem este medicamento.
O verdadeiro dono dos remédios é William Pereira de Faria, sogro do jogador. Ele mora no Brasil e nunca prestou depoimento às autoridades. Seu advogado afirma que o depoimento não foi pedido enquanto ele estava na Rússia e que a justiça do país não aceita interrogatório à distância.
O motorista não sabia da proibição do remédio no país e acabou preso, em março do ano passado. Este remédio seria usado pelo sogro do atleta para amenizar dores na coluna e foi comprado com receita médica endereçada a ele, por um funcionário da família no Brasil.
As informações de que o remédio era de William e não de Robson foram confirmadas pelo advogado da família, Fernando Cassar, e pelo próprio jogador Fernando, em diversas entrevistas ao Esporte Espetacular.
O verdadeiro dono do medicamento nunca prestou depoimento às autoridades russas, nem concedeu entrevista à imprensa.
Fonte: Globoesporte
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