A Justiça determinou a soltura do vereador Valdemir Virgino (PRD), preso no sábado (3) por suspeita de corrupção eleitoral, crime conhecido como compra de votos, em Teresina. A decisão foi confirmada pelo advogado do parlamentar, Carlos Douglas, nesta terça-feira (6).
Valdemir estava entre as 18 pessoas presas durante uma operação da Polícia Federal (PF). Na ação, foram apreendidos cerca de R$ 47 mil. Segundo a defesa, o dinheiro seria usado para pagar pessoas que atuavam como militantes em campanhas eleitorais.
Ao g1, o advogado afirmou que entrou com um pedido de habeas corpus por entender que o vereador não representa risco às investigações.
Valdemir está preso no 24º Distrito Policial (DP), na Zona Sudeste de Teresina. Segundo Carlos Douglas, ele deve deixar a unidade ainda na manhã desta terça-feira.
De acordo com a defesa, o vereador será solto sem o uso de tornozeleira eletrônica. No entanto, deverá cumprir medidas cautelares, como não manter contato com os demais investigados e não sair de Teresina sem autorização da Justiça.
"Nós estamos aguardando só o oficial de Justiça para dar cumprimento ao alvará de soltura dele para que eles possam ser colocados em liberdade. A defesa entende, do ponto de vista técnico, que não poderia se falar dos crimes de associação, bem como de compra de votos.", iniciou.
Defesa defende que dinheiro seria para pagar militantes de campanha"Ainda assim eles foram autuados em flagrante, colocados em cárcere, e depois da audiência de custódia a juíza entendeu por bem da conversão da prisão em flagrante para preventiva, razão pela qual foi impetrada o habeas corpus, que culminou na decisão da doutora Keylla Ranyere, pela concessão da liberdade provisória, para que eles respondam em liberdade".
Ainda segundo o advogado, os cerca de R$ 47 mil apreendidos durante a ação da Polícia Federal na capital seriam destinados ao pagamento de pessoas que trabalhavam como militantes na campanha de políticos.
Segundo o advogado Carlos Douglas, a defesa pretende demonstrar durante o processo que o dinheiro não seria utilizado para compra de votos.
Ainda segundo a defesa, 16 pessoas foram autuadas por corrupção eleitoral e liberadas ainda na noite de sábado após o pagamento de fiança. Valdemir e um funcionário do gabinete dele, identificado como Renato Lucas Vieira da Silva, também foram autuados por associação criminosa.
Entenda o casoSegundo a Polícia Federal, a investigação começou após uma denúncia de que estaria ocorrendo distribuição de dinheiro para compra de votos em uma clínica pertencente à esposa do vereador, no bairro Marquês, em Teresina. A PF informou que fez uma vigilância no local e observou um fluxo intenso de pessoas saindo da clínica com sacolas plásticas escuras.
Durante a ação, dois homens que haviam acabado de sair da clínica em uma motocicleta foram abordados. Com eles, os policiais encontraram material de campanha e R$ 12 mil em espécie.
Segundo o depoimento de um dos agentes, o homem que estava com o dinheiro afirmou que o valor seria destinado ao pagamento de pessoas que haviam trabalhado em uma campanha eleitoral.
Depois da abordagem, os policiais entraram na clínica, após autorização de um atendente. No local, encontraram pessoas, envelopes de papel com anotações de nomes, números de telefone e valores em dinheiro, além de grande quantidade de santinhos dos candidatos Carlos Augusto (MDB), Júlio César (PSD) e Georgiano (PSD).
Segundo a PF, o vereador Valdemir Virgino e Renato Lucas Vieira da Silva estavam na sala onde os materiais foram encontrados e, conforme os policiais, coordenavam as atividades no local.
