Pelo ditado popular, quando queremos dizer que um filho puxou ao pai em um jeito ou profissão logo escutamos um “filho de peixe, peixinho é”. No caso de Lauro Wilson e Lauro Wilson Filho, o ditado se encaixa mais que como somente uma expressão. Pai e filho trabalham juntos nas piscinas com um único desejo: a de que Filho conquiste uma vaga nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Lauro Wilson começou a trilhar a carreira de atleta nas piscinas, mas não decolou. Então, optou pela sala de aula, onde se formou em Educação Física. A ideia era dar mais suporte aos futuros atletas, mas nem de longe imaginava que também serviria para treinar seu filho mais velho: Lauro Wilson Filho, o Laurinho.

Imagem: Emanuele Madeira/GLOBOESPORTE.COMLauro Wilson e Lauro Filho treinam juntos diariamente.(Imagem:Emanuele Madeira/GLOBOESPORTE.COM)Lauro Wilson e Lauro Filho treinam juntos diariamente.

A afinidade de Laurinho veio ainda cedo. Ou melhor, estava no DNA. Das primeiras braçadas ao primeiro torneio, o pai esteve ao lado, lapidando e dando apoio.

- Nós tínhamos um tanque, uma piscininha, em casa. Desde os seis meses de idade, ele já brincava, mas só iniciou nas competições ainda aos sete anos de idade – disse Lauro Wilson.

A relação entre pai e filho, no entanto, nem sempre foi as mil maravilhas. O pai diz que, aos 12 anos, Laurinho não queria mais competir. O jeito foi o pai e técnico ceder. Sem competir sim, mas o atleta continuou na natação para manter a forma.

- Ele teve esse tempo afastado, mas depois resolveu retornar aos torneios por conta própria. De lá pra cá, a gente vem fazendo um bom trabalho. Há uns dois anos, eu já vejo o Laurinho com boas chances de chegar a disputar uma Olimpíada – analisa.

Pai presente, apesar da distância

Na beira da piscina, medição de tempo e ajustes de gestos. A atenção em casa é também transferida para as raias. Os ensinamentos do pai, aliás, estão na lembrando do filho, mesmo quando a distância os separou. Por alguns anos, Laurinho morou no Rio de Janeiro, onde defendeu Flamengo e Fluminense.

- Nossa relação sempre foi muito tranquila. Temos brigas de vez em quando, mas isso é natural. No tempo em que estive longe, tive técnicos e treinamentos muito diferentes e sentia falta da forma técnica como ele faz os treinos – conta Laurinho.

Longe de casa, os treinos comandados pelo pai fizeram falta assim como o contato com a família. Sem conseguir melhorar os tempos em um determinado período, os conselhos do pai fizeram ainda mais falta.

- Não ter a família por perto é ruim, mas os conselhos dele realmente fizeram bastante falta. Na verdade, se eu tivesse seguido os conselhos dele, teria sido muito melhor, mas a gente ganha experiência – finaliza Lauro Filho.