
E assim se passaram (exatos) 40 anos. Para celebrar a data, a cantora faz retrospecto da carreira vitoriosa na live deste sábado, 31 de outubro de 2020, com direito à reprodução de trecho do show inicial Sinal de partida.
Sempre fiel aos compositores e à estética da MPB, Leila Pinheiro completa quatro décadas de trajetória profissional pavimentada entre a coragem de desafiar os protocolos da indústria do disco e a resignação, necessária nos momentos em que se viu obrigada à cumprir as leis cada vez mais tacanhas de mercado fonográfico regido por diretores de marketing e vendas.
A coragem está perpetuada em álbuns arrojados como Outras caras (1991) – disco que quebrou expectativas comerciais alimentadas pelo bem-sucedido projeto fonográfico anterior produzido por Roberto Menescal para o Japão em 1989 com sucessos da Bossa Nova – e Na ponta da língua (1998). Para não falar de Catavento e girassol (1996), antológico songbook com músicas de Guinga e Aldir Blanc (1946 – 2020) que ampliou a visibilidade da obra dos compositores.
A resignação está impressa nos sulcos de discos mais acomodados, sem a verdadeira cara de Leila, como Coisas do Brasil (1993) e sobretudo a burocrática sequência Mais coisas do Brasil (2001), ambos feitos para atender exigências industriais e sobreviver em mercado predador.
Contudo, o saldo é mais do que positivo. Leila Pinheiro sempre manteve o bom gosto na seleção do repertório. Se a cantora errou, e houve naturalmente alguns erros em 40 anos de carreira, foi na aliança com produtores musicais e arranjadores que nem sempre fizeram jus à sofisticação do canto de Leila.