MP instaura procedimento para investigar prefeito Joel Rodrigues
06/04/2020 às 16:24 Atualizado em 06/04/2020 às 16:28 4 min de leitura

De acordo com o órgão ministerial, foi apresentada uma denúncia através da ouvidoria do MPPI informando a existência de esgoto a céu aberto proveniente de canos residenciais que estão despejando água e detritos diretamente nas águas do Rio Parnaíba, nas imediações do Restaurante Flutuante, no Cais da Beira Rio. A denúncia culminou em instauração de Notícia de Fato para investigar o caso.
O MPPI considerou o disposto na Lei Federal nº 11.445/07 sobre as políticas de saneamento básico, afirmando que “considera-se como saneamento básico o conjunto dos seguintes serviços de infraestrutura e instalações operacionais, a saber: de abastecimento de água potável; de esgotamento sanitário; de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos; e de drenagem e manejo das águas pluviais, limpeza e fiscalização preventiva das respectivas redes urbanas”.
“Os serviços públicos de saneamento básico devem ser prestados com base em princípios fundamentais, como: universalização do acesso; integralidade; abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente”, citou o Ministério Público.
O representante do órgão ministerial considerou ainda que “no caso de contaminação do solo e do lençol freático por lançamento de esgoto sem tratamento adequado, a poluição é ainda mais preocupante, pois o dano ambiental é aparentemente invisível, só sendo percebido por meio de análises químicas da água e do solo contaminados, e exames de saúde da população atingida”.
Diante dos fatos, e considerando que a data de vencimento da Notícia de Fato encontra-se próximo e a necessidade de realizar outras diligências para instrução e resolução do objeto do feito, o MPPI decidiu converter a Notícia de Fato em Procedimento Administrativo em face do município de Floriano.
O Procedimento Administrativo instaurado tem o objetivo de acompanhar a regularização dos canos de águas servidas lançadas no leito do Rio Parnaíba provenientes dos estabelecimentos localizados sobre o Cais da Beira Rio, bem como tomar as providências judiciais e/ou extrajudiciais, caso sejam necessárias para o saneamento da irregularidade.
Outro lado
O Viagora entrou em contato com a Prefeitura de Floriano para comentar o caso. O órgão se posicionou através de nota de esclarecimento.
Confira a nota na íntegra:
A Secretaria de Governo de Floriano enviou, em fevereiro, um ofício ao promotor José de Arimatéa Dourado Leão, com a resposta à denúncia de cano residencial despejando água e detritos diretamente nas águas do Rio Parnaíba.
O documento diz que, após o recebimento do documento da Promotoria, o Município de Floriano, através do Departamento de Vigilância Sanitária, realizou vistoria nos estabelecimentos existentes na orla do Cais da Beira-Rio. O laudo, anexado à resposta, constata irregularidades no esgotamento de 5 estabelecimentos, mas frisa que as construções estão localizadas em área urbana consolidada, ou seja, são construções executadas antes mesmo do Código Penal Florestal, instituído pela Lei Federal Nº 12651, e que, considerando decisões dos Tribunais Federais, no sentido de até mesmo negar a demolição de imóveis construídos em áreas de preservação permanente, localizada em área urbana consolidada e povoada, torna-se necessário adotar medidas e formas de regularização que deem conta todas as ocupações com a proteção do meio ambiente.
A resposta também cita a existência do convênio, firmado junto ao Ministério do Desenvolvimento Regional (Proposta nº 046303/2018), cujo objeto é a revitalização e urbanização da orla fluvial (Beira-Rio) que, quando da sua execução, exigirá a padronização de todos os estabelecimentos, de acordo com as normas urbanísticas, momento este que será oportuno para a regularização de forma harmônica das situações ora relatadas.
Fonte: Viagora
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