As espécies vêm sendo registradas desde 2020, no município de Sussuapara, 325 km ao Sul de Teresina. Entre elas estão o macaco-guariba e o veado-catingueiro, animais ameaçados de extinção devido à caça e perda de habitat.
Estudante de 17 anos captura rotinas de animais silvestres em extinção na Caatinga.A área monitorada por pai e filho fica entre as serras do Saquinho e do Jacu, e faz parte da propriedade privada da família, que proíbe a caça no local e busca preservar a fauna e a flora da região.
Ao g1, Edilberto Júnior revelou que o interesse pela natureza surgiu na infância, quando passou a observar a presença de rastros dos animais próximo às serras e teve a curiosidade de conhecer quais espécies habitavam a região e de saber mais sobre a fauna e a flora na região onde vive.
Para as capturas, eles preparam em média quatro câmeras trap, que são caixas de plástico camufladas com uma lente por fora e um monitor por dentro e que fornecem a pesquisadores e ambientalistas uma janela privilegiada para a observação de animais selvagens.
Câmera Trap instalada em Sussuapara-PI.Desde que começaram a ser usadas no Pantanal, principalmente introduzidas por pesquisadores estrangeiros, o uso delas se multiplicou até que chegou ao Piauí. Na área monitorada por Edilberto e o filho, as armadilhas fotográficas ficam em pontos estratégicos, como bebedouros e trilhas.
Os equipamentos ficam camuflados na natureza e registram os animais de forma automática, sem a necessidade da presença de pessoas, o que poderia afastá-los. O uso dos aparelhos permite que os dois compreendam os hábitos dos animais e suas adaptações às mudanças climáticas ao longo do ano.
Mãe e filhotes de gato-mourisco bebem água em reservatório."Dependendo da movimentação, a bateria das câmeras dura meses. Na seca, tende a descarregar em duas semanas, pela movimentação mais frequente em direção aos bebedouros. Já na estação chuvosa, pela abundância de água em outros locais, o fluxo diminui", explicou Edilberto Júnior.
As imagens são divulgadas nas redes sociais, para alertar a população sobre os riscos de extinção das espécies e mostrar estratégias de conservação. "Procuro conscientizar, espalhar conhecimento sobre esse bioma exclusivamente brasileiro e mostrar as suas belezas", disse Edilberto.
"Infelizmente esses animais são muito afetados pelos caçadores e pelos incêndios criminosos. Inclusive já fiz combate em incêndios nas serras de Sussuapara e, junto com o meu pai, estou produzindo mudas de árvores nativas para o reflorestamento das áreas queimadas", concluiu.
Edilberto Rocha e Edilberto Júnior, pai e filho preservam fauna e flora em Sussuapara, no Piauí.