'Papai', Neymar chama jogo e brilha mais uma vez na decisão do Paulista
15/05/2011 às 18:33 Atualizado em 15/05/2011 às 22:26 4 min de leitura

Na decisão do Paulistão, na tarde deste domingo, na Vila Belmiro, Neymar já não lembrava mais aquele menino que há dois anos sentiu pela primeira vez o gosto amargo da perda de um título como profissional, exatamente contra o Corinthians. Em campo, ele não era espectador ou fã, mas sim um objeto de observação do ex-atacante Ronaldo, que acompanhou a final de um dos camarotes do estádio santista. Em 2009, eles estavam em lados opostos, e foi o Fenômeno quem brilhou.
Mais maduro e com dois títulos no currículo – foi campeão do Paulista e da Copa do Brasil de 2010 -, ele ditou o ritmo do Santos contra o Timão. Sem o amigo Paulo Henrique Ganso, machucado, Neymar virou armador, virou maestro. Ousou como no lindo passe para Alan Patrick, aos 39 do primeiro tempo, ou nos dribles em Chicão e companhia. Mas ainda não é perfeito, como gostariam os torcedores do Peixe. Aos 42, perdeu um gol incrível, cara a cara com Júlio César – tentou ludibriar o arqueiro corintiano com um chute no vácuo, mas, na hora da conclusão, o rival acabou afastando o perigo com o pé direito.
- Estou muito feliz por ter vencido, não importa de quem é o gol.. Eu tentei marcar no primeiro tempo, tive chance, mas a bola não entrou. No segundo, dei mais sorte. Espero que ninguém nos segure. Vamos agora trabalhar pela Libertadores - disse Neymar, lembrando que na quarta-feira o time encara o Once Caldas-COL, no Pacaembu, precisando de um empate para avançar às semifinais.
Com Muricy Ramalho no comando, as suas funções mudaram um pouco. Ele não tem só que ajudar o ataque, mas também começar a defender, ao lado de Zé Eduardo. E não foram raras as vezes em que ele grudava no zagueiro ou ajudava na marcação no meio-campo. As reponsabilidades do dono da camisa 11 de cabelo que é mania entre as crianças são maiores agora.
Mas, mesmo com mais tarefas, ele ainda encontrava brechas para dar esperança ao torcedor de ver um placar elástico - Arouca abriu o placar no primeiro tempo. Aos 13, Neymar avançou pela esquerda em velocidade, bem ao seu estilo. Livrou-se de três marcadores e rolou para Elano. Mas o artilheiro do Peixe acabou mandando para fora.
Agoniado com a pressão que o Corinthians fazia na segunda etapa, ele erguia os braços pedindo bola. Mesmo sem seu “brinquedo” por perto, andava de um lado para o outro, sem parar, na tentativa de se desgarrar de Leandro Castan, seu principal marcador desde o 0 a 0 da semana passada.
De tanto insistir pedindo a bola, acabou discutindo em gestos com Zé Eduardo. Recebeu um presente do amigo depois disso. Na área, ele avançou e chutou rasteiro contra Júlio César, que não quis saber do “brinquedo” do santista. Acabou largando a bola e ela entrou mansinha no seu gol, aos 38 minutos da etapa final.
Aí já não dava mais para ser tão responsável assim. Alucinado, Neymar voltou a ser menino. Sem ligar para a chuva que apertou no fim da partida, ele tirou a camisa e saiu correndo para comemorar. Levou amarelo. E viu o Santos ser punido no minuto seguinte, com o gol de Morais, que diminuiu a conta para 2 a 1.
Com poucos minutos para o fim da decisão, Neymar chamava a torcida santista, assustada com o gol corintiano, para jogar com o time. Aos companheiros, pedia menos pressa com as mãos. No apito final, um abraço em Ralf e lá se foi ele, correndo como um menino novamente, sem camisa, para comemorar.
Fonte: G1
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