
O estudo iniciou a segunda fase de trabalhos no último dia 1º de julho e busca alcançar 450 surdos assistidos pela Central de Interpretação de Libras (CIL), serviço municipal que oferece profissionais da área para acompanhar pessoas com deficiência auditiva em serviços e repartições públicas, com o objetivo de garantir acessibilidade linguística e comunicacional.
A pesquisa, realizada por professores e alunos da Unicamp, é coordenada pela docente do Departamento de Desenvolvimento Humano e Reabilitação (DDHR) da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da universidade, Núbia Vianna, e tem apoio da Secretaria de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos da Prefeitura de Campinas.
“Um dos nossos objetivos é averiguar a acessibilidade em Libras nos serviços de saúde. Sabemos que há uma grande barreira de comunicação entre os profissionais de saúde e usuários surdos”, comentou a pesquisadora.
Escassez de pesquisas
Segundo a coordenadora do estudo, a pesquisa teve como motivação a escassez de estudos voltados a essa parcela da população. “Cotidianamente, os surdos enfrentam barreiras de acesso à saúde. A dificuldade para se comunicar com o médico durante uma consulta é uma delas”, completou.
A Região Metropolitana de Campinas (RMC) tem 124.070 mil pessoas com deficiência auditiva, segundo o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), número que equivale a cerca de 4,4% da população.
A primeira fase do estudo foi realizada em 2021 e contou com a participação de 188 pessoas, com o objetivo de traçar a quantidade e as principais características das pessoas surdas.
A etapa consistiu de preenchimento de formulário online acessível em Libras, que investigou informações como idade, grau de escolaridade, condições de saúde, uso dos serviços.
Desafios
Monica é surda e sabe bem os desafios que precisa enfrentar na hora de passar por serviços da rede pública de saúde. Ela sofre de pressão alta e explica que cada vez que precisa ir a uma consulta, é um desafio. Segundo ela, os piores momentos são aqueles em que precisa descrever os sintomas, já na recepção do atendimento e também para entender a prescrição médica.
É bem difícil porque não há comunicação. Desde o momento em que desejamos marcar a consulta é complicado. No momento de explicar o que eu tenho, eu sei que vou ficar nervosa. É o pior momento. Depois, posso entender errado o que o médico me receitou, tomar quantidade maior do que a prescrita e ter uma intoxicação. É muito complicado", relatou.