Prefeito de Goiânia toma posse em UTI com assinatura eletrônica após ter Covid-19
01/01/2021 às 18:28 Atualizado em 01/01/2021 às 18:30 4 min de leitura

Uma hora e meia depois, o vice-prefeito, Rogério Cruz (Republicanos), assumiu o governo interinamente e participou da transmissão do cargo. Após Maguito ter sido empossado, a equipe de transição solicitou afastamento dele para tratamento de saúde por tempo indeterminado.
O último boletim médico, divulgado nesta quinta-feira (31), informa que Maguito segue na UTI, em diálise, em ventilação mecânica, com níveis adequados de oxigenação e traqueostomizado, motivo pelo qual ele não pode falar. O hospital também informa que ele não está mais infectado pelo novo coronavírus. Não há previsão de alta.
A posse virtual alterou o regimento interno da Casa para permitir, excepcionalmente, o ato solene nesse formato durante a pandemia.
Para realizar a posse, a Câmara enviou para o email do emedebista um arquivo em PDF com os termos de posse e de juramento, que receberam dele a certificação digital por meio de plataforma online utilizada no setor público e pela iniciativa privada.
O termo assinado eletronicamente por Maguito diz que ele compareceu de forma remota às 14h para tomar posse e, segundo o documento, a assinatura digital ocorreu às 15h03, 15 minutos antes do início oficial da solenidade de posse realizada em Goiânia. A transmissão do cargo para o prefeito interino ocorreu às 16h30.
Ao assinar o documento no hospital, Maguito estava acompanhado de sua esposa, Flávia Teles, e de seus três filhos. O médico pneumologista Marcelo Rabahi, genro do emedebista e que acompanha o tratamento, afirmou que neste momento seria inadequada qualquer exposição do paciente, que está em recuperação.
Aliados do prefeito chegaram a cogitar o envio de um tabelião ou grupo de vereadores ao hospital para confirmar a vontade do emedebista de tomar posse e o consentimento com o compromisso estabelecido na Constituição e na Lei Orgânica do Município de Goiânia.
Presidente da comissão de transição e filho de Maguito, Daniel Vilela diz que não vê motivo plausível que possa questionar a posse com certificação digital. Segundo ele, o ato também tem respaldo na lei que desburocratiza o uso da assinatura digital e amplia sua abrangência na administração pública, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em novembro.
"Estamos vivendo uma atipicidade, não existe precedente de situação como esta [da pandemia]. Muitas posses serão virtuais. Não vejo a Justiça dando guarita para questionamento tão vago", afirma o presidente da comissão. "Fazemos videochamada todo dia. Ele responde de forma afirmativa, negativa, com sorriso", acrescenta.
O filho também ressalta que a Lei Orgânica do Município não expressa que a posse deve ser presencial nem exige assinatura física do termo de posse. Além disso, ele diz que o juramento, normalmente, é coletivo e "não tem relevância do ponto de vista jurídico".
Maguito declarou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a ocupação de advogado e informou patrimônio no valor de R$ 2.736.162,10. Rogério Cruz, por sua vez, tem superior completo e patrimônio declarado de R$ 81,39.
No segundo turno, o emedebista teve 52,60% dos votos (277.497). Ele derrotou o senador Vanderlan Cardoso (PSD), que alcançou 47,4% dos votos (250.036).
Maguito se afastou da campanha de rua ainda no primeiro turno, após testar positivo para o novo coronavírus em 20 de outubro. Dois dias depois, foi internado com 75% de inflamação nos pulmões, em um hospital de Goiânia, de onde foi transferido para o Hospital Albert Einstein, em 27 de outubro.
No dia 30 de outubro, a equipe médica responsável decidiu pela intubação de Vilela por causa de insuficiência respiratória. Ele evoluiu bem e foi extubado nove dias depois, para respiração espontânea. Em 15 de novembro, necessitou ser reintubado por piora pulmonar (inflamatória e infecciosa), seguindo em ventilação mecânica invasiva.
Após dois dias, o emedebista iniciou tratamento de hemodiálise, seguido de ventilação protetora pulmonar. Em 24 de novembro, ele foi submetido a procedimento de traqueostomia.
O emedebista disputou a Prefeitura de Goiânia pela primeira vez nestas eleições. Ele é natural de Jataí, a 320 quilômetros da capital. Já foi vereador da cidade do interior, deputado estadual e federal, vice-governador e governador de Goiás, senador e, mais recentemente, prefeito de Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital.
Fonte: Folha press
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