A professora disse que considera sua posse uma conquista não só para a população LGBTQ+. “É algo muito significativo não apenas pra mim, mas para todas as travestis, todas as mulher negras, de candomblé, por que são grupos que são alijados dos processos sociais”, disse Letícia.
Letícia lembra que o preconceito contra travestis desde a própria família até a sociedade como um todo impede que essas pessoas concluam sequer o ensino fundamental. "Temos travestis que são expulsas de casa aos 14, 15 anos. Como vão chegar a universidade, como alunas ou professoras?", questiona.

Para ela, seu caso pode inspirar outras travestis e transexuais a acreditar que podem ingressar no ensino superior. “Claro que para superar essas dificuldades não basta somente esforço. Não concordo com esse discurso da meritocracia. É importante que a gente saiba que as oportunidades não são as mesmas”, disse.
Além de professora, Letícia ingressa também no doutorado, e terá de dividir suas semanas como professora no Campus de Floriano e como aluna no Campus de Teresina. Letícia atua na área de pedagogia, e disse que com seu trabalho, planeja pavimentar o caminho da educação para outras travestis e transexuais.
"A partir dos projetos, podemos estar formando um quadro de pedagogos e pedagogas mais sensível estas questões sociais, que desenvolvam uma prática educadora acolhedora, que seja qualificado para trabalhar com as diferenças. Assim nós teremos uma escola mais inclusiva”.