Procissão do Fogaréu em Oeiras reúne 10 mil homens.Cerca de dez mil homens, segundo a Polícia Militar, participaram da Procissão do Fogaréu na noite desta quinta-feira (24) na cidade de Oeiras, a 313 km ao Sul de Teresina. O ato litúrgico reúne fiéis de diversas cidades piauienses e até de outros estados. O evento faz parte do calendário da Semana Santa mais tradicional do país.
A Procissão do Fogaréu, realizada em poucas cidades do Brasil, é formada apenas por homens, que representam os soldados romanos em busca de Jesus. Durante o ato, os fiéis saem em cortejo levando tochas acesas, após a iluminação pública da cidade ser desligada. Enquanto as mulheres, que não podem participar, acompanham tudo da igreja da cidade, das calçadas e janelas. As mais idosas ficam rezando dentro de casa.
O Fogaréu sai da Catedral de Nossa Senhora da Vitória com os homens cantando hinos de louvor ao som da matraca e percorre as ruas do centro histórico de Oeiras, retornando ao ponto de partida. Na volta, no adro da igreja, os romeiros assistem ao sermão do padre.
A Semana Santa em Oeiras começou no dia 17, com a Procissão da Fugida, quando fiéis levaram a imagem de Jesus da Catedral de Nossa Senhora da Vitória para a igreja de Nossa Senhora do Rosário, de onde retornou no dia seguinte, na Procissão de Bom Jesus dos Passos.
Além da Procissão do Fogaréu, o calendário destaca ainda as procissões do Senhor Morto, na Sexta-Feira da Paixão, e a do Senhor Ressuscitado, no Domingo da Ressurreição.
A religiosidade de Oeiras se mantém graças as pessoas como o aposentado Pedro da Costa Almeida, que saiu a pé da localidade onde mora, a 40 quilômetros da zona urbana. De acordo com o idoso, ele já acompanha a Procissão do Fogaréu há 42 anos.
“Não falto a nenhuma ação religiosa. Todos os domingos venho para a missa, além de na Semana Santa não perder nenhuma missa ou procissão. Aprendi com meus avós e com meus pais”, disse.
Para Luís Júlio da Silva, de 70 anos, a missão de manter viva a tradição é necessária. “Desde criança acompanho a Procissão do Fogaréu. Aqui ninguém se cansa, faz parte da vida da gente”, afirmou Luís.
Algumas mulheres aguardam os homens na igreja.A família de Maria Eugênia acompanhou tudo da igreja. Sentada nos bancos da catedral, todas rezaram até a chegada dos maridos no templo. “Como é uma tradição de as mulheres não participarem, a gente fica na igreja rezando, pedindo e agradecendo as graças alcançadas”, relatou a idosa.

