
O professor de linguagens Hélcio Aguiar afirmou que das 45 questões, muitas abordaram a conscientização e mudança de comportamento. Além disso ele destacou que em edições anteriores tinham textos com dois parágrafos, mas na prova de hoje chegou a quatro parágrafos, o que exigiu mais dos candidatos.
“Achei a prova equilibrada e compatível com o que vem sendo trabalhado. Senti falta de tirinhas clássicas, como a da Mafalda. Não sei se foi proposital, mas estávamos acostumados a trabalhar com tal gênero. Teve os autores esperados, como Manoel de Barros, Chico Buarque, então em resumo geral, foi uma prova bem elaborada”, destacou.
Ele pontuou que o uso de textos de domínio jornalístico foi um ponto positivo para a prova. Com textos que precisam de mais interpretação, o professor afirmou que é importante identificar o que realmente a questão quer.
“Ao fazer a prova os alunos precisam saber o objetivo do texto. Todo texto atende a uma necessidade socioeducativa. Então se tenho 45 questões, são 45 gêneros e objetivos”, afirmou.
Literatura
Para o professor de literatura Rômulo Arantes, a prova exigiu bastante leitura e interpretação por parte dos candidatos.
"Houve um predomínio de itens sobre gêneros textuais, muitos itens voltados de caráter argumentativo e também muitos itens que exigiam conhecimento específico de literatura, com autores importantes, como um texto de Guimarães Rosa e uma opção voltada para uma produção dele, dois textos de Machado de Assis, e tinham questões com imagens artísticas que eram na verdade de análise textual, então a prova foi bem feita”, afirmou o professor.
Rômulo Arantes explicou que a prova estava mais contextualizada e precisava de uma boa análise dos alunos. Muitas questões eram voltadas para autores específicos, mas temas relevantes como racismo e machismo foram comentados.
O professor destacou a forma interessante como alguns assuntos polêmicos foram retratados.
“Tem um item constituído a partir do Alienista, novela de Machado de Assis, que fala sobre loucura, mas principalmente sobre a postura arrogante, prepotente do psiquiatra, que se diz responsável por encontrar a cura da loucura, e que acaba ele enlouquecendo. Esse texto foi cobrado de uma maneira curiosa na prova, em um trecho que falava do homem da matraca que é um era responsável por divulgar fake news. Isso foi uma coisa estupenda, pois era mais fácil pegar um texto pós moderno e atual, mas eles resgataram”, pontuou.
Língua estrangeira - inglês
Segundo a avaliação dos professores Marcos Barros e Bruno Felipe, a prova de inglês do Enem deste ano foi tranquila. As questões possuíam caráter interpretativo, como de praxe, e palavras de fácil compreensão.
"Não teve pegadinhas. Os conteúdos cobrados foram baseados em interpretação textual. Os textos eram variados, tivemos uma tirinha, uma charge e nos demais, textos longos, mas com um vocabulário fácil", disse o professor Marcos Barros.
De acordo com o professor Bruno Felipe, houveram duas questões de nível 2 e as demais de nível 1.
"Foram questões que abordaram temas sociais como racismo, cultura e costumes. Também houve a abordagem de filmes", mencionou o docente.
História
Para o professor Ismar Tavares, das 45 questões de Ciências Humanas e suas Tecnologias, 10 questões cobraram assuntos sobre história do Brasil, quatro cobraram história geral e outras seis envolveram o tema cultura, que também perpassaram pelas disciplinas de sociologia e filosofia.
“A prova do Enem me surpreendeu pela quantidade de questões sobre história do Brasil. Ano passado foram poucas questões. Neste ano, foram cobrados assuntos relacionados às questões indígena e africana. Mas, sentimos falta de questões sobre história geral - primeira e segunda guerra mundial, nazifascismo”, disse o docente.
Geografia
De acordo com o professor de geografia Igo Tiago, das 45 questões das Ciências Humanas e suas Tecnologias, 16 cobravam conhecimentos geográficos.
“Houve muitas questões de industrialização, sobre o setor secundário e terciário, espaço urbano, questões ambientais. Foi cobrado um assunto muito importante que é sobre os refugiados. Porém, sentimentos falta da geografia física, que foi bastante cobrada no ano passado”, disse o professor Igo Tiago.
Segundo o professor Mário Jorge, os níveis de questões foram bem distribuídos.
“A prova de geografia no Enem foi excelente. Dessas 16 questões, algumas foram mais simples e outras de nível mais alto. Então, em relação aos níveis de questão, foi bem distribuído”, comentou o professor.
Filosofia e Sociologia
Para a professora de filosofia Rubia Gomes, a prova do Enem não trouxe nenhuma surpresa.
"Foram temáticas trabalhadas em sala de aula, como o movimento social, a questão do indígena, os filósofos René Descartes e Friedrich Nietzsche, além do clássico da filosofia que é o Sócrates. A organização do Enem trabalhou um lugar comum, clássicos, uma prova conteudista", disse.
O professor de sociologia e filosofia Stanley Costa avaliou como uma prova boa, que contemplou a filosofia e sociologia.
"Muitas questões relativas a relação indígena, filósofos que vinham caindo em anos anteriores. Foi uma prova muito bem trabalhada, com questões diretas", destacou.