Em uma área de 2,7 milhões m², o lixo domiciliar que não puder ser reaproveitado será prensado em camadas que chegarão a no máximo 5 m de altura. Para a formação dessas camadas, mais conhecidas como células, o material será coberto com terra a fim de evitar mau cheiro, urubus e catadores no local.
Para que o chorume (líquido formado pela degradação dos resíduos) não contamine o solo, uma espessa manta de plástico com durabilidade de cerca de 180 anos será colocada entre as células. O chorume recolhido através de tubulação ficará em um reservatório. Em seguida, ele será tratado pela Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgosto) e se transformará em água de reuso (não recomendada ao consumo, apenas para lavar calçadas, regar plantas etc).
O gás metano produzido pelo lixo poderá ser captado, queimado e revendido em forma de energia para países compradores como a França, por exemplo. Ele também poderá gerar créditos de carbono (espécie de comércio ambiental pela não emissão de poluentes).
Já o material da coleta seletiva passará pela Unidade de Triagem de Resíduos Recicláveis, com capacidade para cem toneladas diárias. O produto disso será revendido às indústrias. Cada tonelada custa, em média, de R$ 150 a R$ 200. Segundo Dirceu Pierro Junior, biólogo e diretor comercial da empresa Estre Ambiental, parceira do CTR Itaboraí, quanto mais separar, mas valerá o reciclável.
- O ideal é segregar bem para fazer melhores negócios. Não se pode juntar papel branco, que é mais nobre, com papelão, que tem qualidade inferior. As garrafas PET têm que ser separadas até pela cor: verde com verde, transparente com transparente. A mesma coisa para o vidro.
Triagem de entulho
Uma tonelada de materiais recicláveis custa, em média, de R$ 150 a R$ 200O material contaminado pela ação de petrolíferas ou estaleiros será destinado à Unidade de Biorremediação para Tratamento de Resíduos e Solos Contaminados do novo aterro. Cerca de 500 toneladas por dia poderão ser tratadas. Esta ação será inédita no Estado. Atualmente, empresas instaladas no Rio precisam enviar o material, principalmente terra, para o CGR Paulínia.
Manoel Franklin de Sá vê o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), que será inaugurado em 2013 pela Petrobras em área de 45 milhões de m² também em Itaboraí, como potencial oportunidade para tratar esse tipo de resíduo no Rio.
- Quando o Comperj foi anunciado, já tínhamos o projeto do aterro de Itaboraí, mas, sem dúvida, é uma grande oportunidade. De acordo com a necessidade, nós temos como aumentar consideravelmente o volume de material a ser recebido.
A Unidade de Tratamento de Resíduos de Serviços de Saúde, com capacidade para tratar 20 toneladas de material hospitalar, completa a lista dos serviços que sustentam a estrutura do novo aterro de Itaboraí.
Colapso dos lixões
Um cinturão verde de 1,4 milhão de m² funcionará como barreira visual, acústica e de odor para isolar a área. Espécieis nativas já começaram a ser replantadas na barreira vegetal.
O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental já foram aprovados pelo Inea (Instituto Estadual do Ambiente). A licença prévia foi conseguida após audiência pública em 2009, assim como a licença de instalação, liberada em janeiro deste ano. A de operação será expedida pelos órgãos ambientais somente em agosto, que é quando o aterro entra em funcionamento.
Novo aterro sanitário terá capacidade de receber 5.000 toneladas diárias