Após uma reunião, os jogadores decidiram que só entram em campo no sábado, no duelo contra o Parnahyba, pela quarta rodada do Campeonato Piauiense, se o pagamento for feito pela diretoria. Até o dia do jogo, os treinos só acontecem também caso o débito for quitado.
- Eles (diretoria) dão prazo e não cumprem. Isso nos chateia ainda mais. No dia 4 de abril completou dois meses sem receber. Só estamos cobrando o que é nosso, ninguém aguenta mais essa situação. Estamos nos matando nos jogos, e a diretoria não vê isso? Nosso sentimento é de raiva - falou um dos jogadores do Enxuga Rato, que optou não ter o nome revelado.
Jogadores do Piauí, em protesto, trocam treino por partida de futevôlei.Na semana passada, o elenco havia paralisado um treino no CT. Contudo, o grupo se reuniu e decidiu manter as atividades, indo a campo no último sábado. Foi um voto de confiança à diretoria dado pelos jogadores. O time venceu o Caiçara por 2 a 0, manteve o 100% de aproveitamento e está na vice-liderança do returno do estadual.
- Apesar da boa fase que estamos vivendo é hora de cobrar, não podemos deixar passar. Parece que a nossa diretoria não está indo atrás para pagar pelo menos um dos salários atrasados, é complicado. Sentimos não entrar em campo, mas fazemos a nossa parte. Estamos no limite, tem que gente que precisa pagar contar e cuidar da família. Assim, sem dinheiro, é complicado - ressaltou outro jogador do Piauí, que não quis se identificar.
Na sexta passada, quando confirmou o atraso no pagamento dos salários, o Piauí se manifestou em nota e explicou que a folha não paga deve-se ao "atraso dos patrocinadores que alegaram dificuldades financeiras em virtude da anunciada crise financeira que se abateu sobre o país".
Diretoria se posiciona
O diretor de futebol do clube, Pedro Evo, afirma que o pagamento dos salários ainda não foram feitos porque problemas burocráticos emperraram o repasse do patrocínio do governo para o clube. O dirigente também questiona a informação dos jogadores de que são dois meses de atraso.
- Isso de dois meses não procede. Já pagamos meia folha de fevereiro, e a de março só vence dia 10. Começamos a trabalhar no dia 4 de janeiro, então 5 de abril venceria a folha de março, que foi ontem. Mas pela CLT você tem até 7 dias úteis após o vencimento para quitar - afirma.
Sobre o pagamento, Pedro espera que a situação seja normalizada até a próxima sexta-feira, mas sempre dependendo do repasse governamental.
- Estamos esperando o repasse do governo. Ficou de cair ontem e não caiu. Esse dinheiro vai para a federação e a federação vai repassar para os clubes. Repassando, nós temos o maior interesse do mundo em fazer esse pagamento para acabar logo com esse problema. Acredito que amanhã, ou no máximo sexta-feira isso esteja resolvido - diz o dirigente.
O próximo jogo do Piauí está marcado para às 17 horas de sábado, contra o Parnahyba na casa do adversário. Questionado sobre a possibilidade da equipe ser prejudicada sem treinar até lá, Pedro diz que irá conversar com os atletas e não acredita que a paralisação vá durar.
- Eu compreendo o lado deles, tem família. Mas eles tem que entender que o que a diretoria pode fazer, a gente já fez. Tem 30% que não quer treinar. Os outros querem, mas não treinam porque ficaria um clima ruim. Ficaram parados hoje, mas acredito que amanhã a gente conversa e se explica - finaliza.
