Imagem: Divulgação/Polícia CivilDos 37 mandados, 28 já foram presas suspeitas de fraude em concursos.(Imagem:Divulgação/Polícia Civil)Dos 37 mandados, 28 já foram presas suspeitas de fraude em concursos.

Dois agentes penitenciários, um analista do Ministério Público do Piauí, além de um policial civil e um militar, estão entre os presos da Operação Veritas, deflagrada nesta quinta-feira (10) para desarticular uma quadrilha suspeita de fraudar concursos públicos no Piauí. Além destes, também foram presos três advogados, um agente da Superintendência de Transportes e Trânsito (Strans) e um agente de trânsito do Maranhão.

Imagem: Catarina CostaClique para ampliarDelegado Carlos César explicou como quadrilha agia na fraude de concursos.(Imagem:Catarina Costa)Delegado Carlos César explicou como quadrilha agia na fraude de concursos.

Segundo a polícia, o grupo tentou fraudar o concurso público do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), realizado em dezembro do ano passado, o certame da prefeitura de Capitão de Campos e outros concursos.

Ainda de acordo a polícia, o agente da Strans da capital é o principal envolvido na fraude do concurso do TJ-PI.

De acordo com o coordenador do Greco, delegado Carlos César, a quadrilha não tinha acesso aos gabaritos, mas contratava estudantes e especialistas de algumas áreas para fazer as provas, respondiam as questões das disciplinas que eles tinham conhecimento específico e as demais questões marcavam de forma aleatória.

"Eram várias pessoas contratadas pelo grupo fazendo a mesma prova. Elas deveriam responder em tempo hábil as questões, depois se reuniam para montar o gabarito e passavam via celular para o candidato. Um menor foi apreendido por fraude no concurso do TJ. Ele fez a prova de matemática e confessou como acontecia o esquema", disse o delegado Carlos César sem dar valores pagos pelos candidatos.

Homens do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco) e cerca de 200 policiais civis cumprem 37 mandados de prisão, 34 de busca e apreensão e 46 de condução coercitiva. Advogados de alguns dos suspeitos presos compareceram até a Academia de Polícia (Acadepol), mas nenhum deles quis se pronunciar.

Imagem: Divulgação/Polícia CivilClique para ampliarMaterial encontrado pela Polícia Civil do Piauí durante operação.(Imagem:Divulgação/Polícia Civil)Material encontrado pela Polícia Civil do Piauí durante operação.

O presidente da Ordem dos Advogados (OAB) do Piauí, Francisco Lucas Costa, esteve na Acadepol para levantar informações sobre a participação dos advogados suspeitos de participação na quadrilha. Ele contou ainda que após a confirmação da fraude no concurso do Tribunal de Justiça, a OAB deve acionar o órgão sobre a possibilidade de anulação do certame.

O Tribunal de Justiça do Piauí informou que só deve se pronunciar no final do inquérito policial. O Ministério Público Estadual, disse que está ciente da prisão de um servidor do órgão e só irá posicionar sobre o caso depois que for comunicado pelo delegado geral da Polícia Civil.

A Superintendência de Transportes e Trânsito (Strans) também só deverá comentar o caso após uma avaliação da denúncia contra o agente preso.

O concurso do TJ

No dia do concurso, cinco candidatos foram detidos após serem flagrados com aparelhos celulares, documentos falsos, mas liberados após prestarem esclarecimentos. A polícia confirmou que alguns deles estão entre os alvos dos mandados de condução coercitiva cumpridos nesta quinta-feira (10).

Em dezembro do ano passado, 42.920 candidatos disputaram as 180 vagas ofertadas no concurso público do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI).