No ano de 2024, o sistema prisional do estado registrou 3.084 inscrições no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade (Encceja PPL), contemplando os níveis do ensino fundamental e médio. A participação é voluntária e representa um passo importante na construção de novos projetos de vida para os custodiados.
Sistema prisional do Piauí qualifica mais de 3.600 pessoas e mobiliza 3.400 em atividades laboraisO Governo do Estado, por meio da Secretaria de Justiça do Piauí (Sejus), tem intensificado suas ações de ressocialização nas unidades prisionais. Em todo o estado, internos participam de cursos profissionalizantes nas áreas de eletricista predial, pedreiro de alvenaria, pintor, panificação, horticultor orgânico, produção e manejo de suínos, marceneiro e empreendedorismo. As formações são realizadas em parceria com instituições como o Senar, Sebrae, Senai e Sasc, com o objetivo de promover capacitação técnica, dignidade e novas perspectivas de futuro.
Para o interno Márcio César, que integra a turma de panificação, a qualificação dentro do sistema tem sido um divisor de águas. “Geralmente nós fazemos pães e salgados. Eu já conhecia um pouco da técnica, mas é aqui que estou me aperfeiçoando, aprendendo mais a cada dia. A ideia é sair daqui com outro olhar, com conhecimento suficiente para conseguir um trabalho e construir um futuro melhor”, afirma, reforçando que o plano é usar o que aprendeu para abrir o próprio negócio ou garantir um emprego digno.
A participação é voluntária e representa um passo importante na construção de novos projetos de vida para os custodiados.A capacitação é parte de uma diretriz permanente da Sejus. De acordo com a policial penal e gerente da Penitenciária Irmão Guido, Rebeca Filha, a formação profissional é uma das frentes mais eficazes no processo de reintegração social. “Finalizamos neste mês mais um curso profissionalizante, onde quinze internos concluíram todos os módulos de Eletricidade Predial. Essa capacitação constante é uma diretriz do nosso secretário de Justiça, coronel Carlos Augusto, que tem como meta oportunizar, cada vez mais, que os internos saiam qualificados e reinseridos no contexto social, seja pelo trabalho, seja pela educação”, destacou.
Josivaldo Feitosa é outro exemplo de transformação por meio do conhecimento. “Aqui eu fiz mais dois cursos, o de pedreiro e o de marceneiro. Tive a oportunidade de aprender muita coisa que não consegui lá fora. Esse aprendizado não fica só aqui dentro. A intenção é praticar lá fora, trabalhar e sustentar minha família, como também ajudar o próximo, que é o que a palavra de Deus ensina”, pontuou.