De janeiro a agosto de 2026, Teresina registrou 238 ocorrências de desaparecimento de pessoas com mais de 18 anos. O levantamento foi feito pela Delegacia de Desaparecimentos, vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

De acordo com o delegado Jorge Terceiro, a maioria dos casos envolve saídas voluntárias motivadas por dívidas, violência doméstica ou quadros de senilidade.

“Pessoas idosas, com algum grau de senilidade, pessoas com transtornos mentais, ou deficiência intelectual saem de casa, assim como idosos, ficam perambulando e não conseguem retornar, pessoas que usam álcool que saem de casa para consumo e às vezes ficam nas praças da capital. Também há situações de dívidas, pessoas desaparecidas que foram presas e se encontram no sistema prisional que nossa equipe identifica a pessoa e informa a família. Pessoas também no contexto de violência doméstica”, afirma o delegado.

Em 2025, o número de desaparecidos na capital piauiense chegou a 315, dos quais 297 foram localizados. O delegado reforça que, ao notar o sumiço de um familiar, o comunicado à polícia deve ser feito imediatamente, sem a necessidade de esperar 24 horas.

“É importante informar que não há necessidade de esperar o prazo de 24h para fazer registro da ocorrência. A lei não exige isso e nem a prática policial que diz que quanto antes feito o registro, mais chances há de se localizar porque os elementos de informação a serem levantados se encontram disponíveis para equipes policiais localizarem, quanto mais o tempo passa mais se vai esvaecendo esses elementos para localizar a pessoa”, disse.
Imagem: Arquivo / Cidadeverde.comDelegado Jorge Terceiro(Imagem:Arquivo / Cidadeverde.com)Delegado Jorge Terceiro

Para registrar a ocorrência, o responsável deve comparecer a uma delegacia munido de uma foto recente do desaparecido, detalhando as circunstâncias do caso e as características físicas da pessoa procurada.

Campanha estimula a coleta de material biológico

Em âmbito nacional, o Dia D da Mobilização Nacional de Identificação de Pessoas Desaparecidas incentiva a coleta voluntária e gratuita de DNA de familiares de vítimas.

No Piauí, o procedimento está sendo realizado no Instituto de Identificação, localizado no bairro Saci, zona Sul de Teresina. Segundo a polícia, a iniciativa permite inserir os perfis no banco genético, o que amplia as chances de localização.

O delegado cita como exemplo o caso de um pescador que morreu no mar, em Parnaíba, sem documentos de identificação. A partir da coleta do material genético do corpo, foi possível cruzar os dados com o banco nacional e localizar parentes da vítima no Ceará.

“Quando se esgotam todos os meios disponíveis de investigação e a pessoas ainda não foi localizada, o banco de DNA de familiares é mais um meio de tentar localizar a pessoa. Não é incomum a situação de uma pessoa desaparecida ser localizada em outro estado da federação e às vezes sem qualquer tipo de documentação. Às vezes uma pessoa sofre um acidente em outro estado, é atendida pelo Samu, fica em coma e não se encontra nenhum documento com ela. Essas pessoas tem o material genético coletado e vai para o banco. Então familiares serão identificados através do cruzamento do DNA dela com familiares que prestaram material no seu estado de origem”, explica o delegado.

Para realizar a coleta, o familiar precisa apenas ir ao Instituto de Identificação munido do Boletim de Ocorrência de desaparecimento. O procedimento é gratuito e o perfil genético gerado passa a integrar o Banco Nacional de Perfis Genéticos, permitindo a identificação do desaparecido em qualquer estado do Brasil e em países parceiros.