Professores da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) decidiram ontem(17) durante assembleia que irão paralisar suas atividades até o dia 26 devido à falta de condições para o início das aulas. Os docentes alegam não terem condições de trabalhar em salas que não possuem papel, pincel, apagadores e outros materiais de expediente que até agora não foram comprados pela instituição.

Apesar da decisão tomada na assembléia, direção e professores do campus de Floriano não aderiram à paralisação e vão dar início às aulas normalmente a partir de segunda-feira (21).

PARALISAÇÃO

De acordo com a presidente da associação de Docentes da UESPI - ADCESPI, Graça Ciríaco, esta é a primeira paralisação que acontece por falta de condições de trabalho. Os professores se reúnem novamente no dia 28 para fazerem uma avaliação sobre a paralisação e decidirem se decretam uma greve geral por tempo indeterminado. Ela explica que também foi elaborado um documento que relata a situação da universidade que será encaminhado para a reitoria e o governo do Estado.

"Queremos marcar também uma audiência com o governador Wilson Martins para que ele nos dê garantia de que as nossas reivindicações sejam atendidas. Em Picos, por exemplo, o curso de Comunicação Social não vai ter condições de dar início às aulas porque o prédio do Premem, que foi destinado para abrigar o curso, não tem a menor condição de receber os estudantes", destaca Graça Ciríaco.

Graça Ciríaco explica ainda que a campanha salarial da categoria também terá início na próxima segunda. "Vamos passar a semana toda mobilizando os alunos, fazendo panfletagem e mostrando a nossa situação para a sociedade. A nossa data-base é em maio, mas já vamos começar a campanha salarial. Estamos em defasagem e o governo não quer negociar", conta a presidente do sindicato, reiterando que a categoria quer a implantação do piso do Dieese que é de R$ 2.200. Segundo ela, atualmente um professor recebe, em média, na Uespi R$ 1 mil.

O diretor regional do sindicato Nacional dos Docentes - ANDES, Daniel Solon, afirma que a Uespi também não faz o repasse de suprimentos de fundos há quatro meses. "Muitos professores tiraram dinheiro do bolso para comprar papel e toner para impressoras para que os alunos pudessem fazer suas matrículas", conta Daniel Solon.

Esta é a segunda paralisação de professores que acontece este ano. Os docentes da rede estadual de Educação ficaram parados por 17 dias após o início do período letivo e cobraram melhorias salariais e de estrutura. Após acordo, eles conseguiram rejuste de 15%.