
No álbum lançado na segunda-feira, 26 de outubro, com o título já trocado para Do meu coração nu, Zé Manoel desenterra tesouros ancestrais, se despe dos pré-conceitos brancos e reconstrói essa narrativa social, oferecendo o posto de vista negro da história.
O álbum Do meu coração nu bate no pulso da ancestralidade africana, mas no compasso próprio deste artista que transita pelo universo musical erudito com a mesma naturalidade com que finca notas no fértil solo afro-brasileiro.
Pianista de mão cheia, de toque tão sucinto quanto preciso, já comumente arregimentado para discos de exigentes cantoras como Adriana Calcanhotto e Maria Bethânia (que o chamou para o álbum que apronta desde setembro com os toques de músicos como o também gigante violonista João Camarero), Zé Manoel se eleva – inclusive – como compositor em Do meu coração nu.
História antiga, que já se insinuou grande em junho, fica ainda maior no contexto social e musical do álbum produzido pelo baixista baiano Luisão Pereira e lançado pela gravadora Joia Moderna em edição digital (distribuída via ONErpm) e edição em CD (fabricada em parceria com o selo Passa Disco, da homônima loja de discos do Recife).
Não fosse a (boa) música, o disco já estaria legitimado somente pela reconstrução – em 11 faixas que encadeiam músicas e falas – do enredo da história do povo negro, evocativa da ancestralidade africana, como reforçam os versos em francês de Notre histoire, parceria de Zé Manoel com o compositor e baterista Stephane San Juan bafejada pelos sopros arranjados por Alberto Continentino.