Análise: superior ao Palmeiras em empate, Botafogo deixa boa impressão em estreia de Renato Paiva

31/03/2025 08h55


Fonte ge

Empatar com o Palmeiras no Allianz Parque, geralmente, pode ser considerado como um bom resultado para qualquer visitante. É um jogo contra um postulante a qualquer campeonato que disputa há anos e que mostra força jogando em casa. Para o Botafogo, após o 0 a 0 deste domingo, na 1ª rodada do Brasileirão, contudo, a sensação foi que era possível conseguir mais.

A estreia oficial de Renato Paiva no comando do Alvinegro mostrou um time com dinâmicas parecidas ao time de Artur Jorge de 2024. A equipe foi dinâmica, marcou forte a partir do meio-campo e soube explorar as costas do rival com descidas em velocidade após recuperar a bola.

O placar sem gols não condiz muito com o que foi visto em campo. O Botafogo, superior em relação ao Palmeiras em boa parte dos 90 minutos, criou e assustou mais em relação ao rival. Quase sempre com Igor Jesus, que saía da área para gerar vantagens, obrigando os zagueiros palestrinos a deixarem a zona de conforto, foi o principal expoente de jogadas

Sempre que recuperava a bola, o camisa 99 era o primeiro a ser acionado. Quando não era parado com falta, conseguia arrancar ou encontrar um bom passe para Artur ou Savarino. O brasileiro foi importante para puxar contra-ataques e ser outra válvula de escape, mas o venezuelano esteve em dia pouco inspirado: foram três chances claras desperdiçadas nos pés do camisa 10.
Imagem: Vítor Silva/BotafogoRenato Paiva em Palmeiras x Botafogo.(Imagem:Vítor Silva/Botafogo)Renato Paiva em Palmeiras x Botafogo.

— Sou uma pessoa muito honesta. Seria muito pouco inteligente chegar aqui e mudar o que estava feito em um modelo de jogo que deu dois títulos ao clube. Mas saíram dois jogadores (do time titular), meu trabalho é perceber a características dos jogadores que chegaram e perceber se dava para continuar do mesmo jeito. As transições hoje não foram mais efetivas porque a última decisão não foi a melhor. Se eu posso dizer, essa foi a pior parte da nossa atuação - analisou Renato Paiva.

O volume de jogo não passava necessariamente por controlar a posse de bola, mas em como valorizá-la nos momentos que tinha. Na marcação, um meio-campo cheio com as presenças de Patrick de Paula, Gregore e Marlon Freitas ocupava as zonas de trabalho de Raphael Veiga e Richard Ríos. Sem opções, o Palmeiras era praticamente obrigado a atacar pelos lados do campo.

Com exceção de Estêvão, sempre um atleta que gera perigo pela forma fácil que consegue driblar, a ameaça foi contida pela defesa alvinegra. O trabalho no camisa 41 foi dobrado e Alex Telles recebeu ajuda a todo instante - quando o jovem passava, o lateral o parava com falta. Quando a bola ia para outro jogador do Palmeiras, a única alternativa era alçar bola na direção. Neste cenário, John, Jair Cunha e Barboza foram soberanos para conter o perigo.

O Palmeiras teve a chance de marcar na reta final e praticamente matar o jogo. Flaco López entrou sozinho em um dos poucos erros coletivos defensivos do Botafogo, mas foi parado por John.

— Não estou satisfeito com o resultado, mas, de fato, tenho certeza de que volta a se confirmar que é um grupo de campeões. Em vários momentos houve demonstrações de talento. Não só talento técnico, mas tático. Mas também no honrar esse escudo. Foi assim que eles ganharam os títulos e assim que vão continuar ganhando. Voltou o Botafogo que honra os torcedores. Mais uma vez: repito que não estou satisfeito com o resultado - completou Renato.
Imagem: Marcos RibolliPalmeiras x Botafogo - Vitor Roque e Artur(Imagem:Marcos Ribolli)Palmeiras x Botafogo - Vitor Roque e Artur

Os primeiros 90 minutos oficiais de Renato Paiva trouxeram boa impressão e esperança. Do ataque à defesa, o time teve personalidade para não fugir do modelo de jogo pensado pelo português e bater de frente com um dos melhores times do país - apesar da má fase da equipe comandada por Abel Ferreira.

O próximo compromisso será na quarta-feira, às 21h30, contra a Universidad de Chile, em Santiago, na estreia da Conmebol Libertadores.


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